O que está por trás da falta de crescimento da aviação no Brasil?

O que está por trás da falta de crescimento da aviação no Brasil?
Especialista com mais de 36 anos de experiência explica sobre os impecilhos
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 13 de agosto de 2024 4

No início, a aviação comercial no Brasil era focada em voos regionais, com empresas como a Varig e a Cruzeiro do Sul operando apenas dentro dos estados. Foi na década de 1940 que o setor cresceu bastante, com novas rotas entre estados e a compra de aviões militares a preços baixos.

Hoje, a aviação comercial brasileira é bem desenvolvida e transporta milhões de pessoas para grandes cidades e destinos internacionais. No entanto, a aviação regional, que já foi forte, acabou ficando para trás, especialmente depois do fim do Sistema Integrado de Transporte Aéreo Regional (Sitar) e a desregulamentação do setor nos anos 1990.

João Marcos Coelho, um especialista com mais de 36 anos de experiência, explica que a falta de infraestrutura adequada nos aeroportos regionais e a baixa concorrência são os principais problemas. No Norte e Nordeste, há algumas operações, mas no Centro-Oeste quase não há voos regionais, e no Sul e Sudeste, há apenas duas empresas com poucas rotas.

Além disso, a aviação regional poderia ajudar a melhorar a logística aérea no Brasil. A maior parte das cargas é transportada em voos regulares, e as empresas que transportam apenas carga usam aeronaves menores, que são mais adequadas para aeroportos regionais.

Um estudo da Anac mostra que, apesar do Brasil ter o 5º maior espaço aéreo do mundo, a aviação representa apenas 18% das operações de transporte, e apenas cerca de 130 dos 5.500 municípios brasileiros têm voos comerciais. Mas o país tem um grande potencial para crescer na aviação regional devido ao seu tamanho e população.

Recentemente, houve avanços para melhorar a aviação regional. A concessão dos grandes aeroportos à iniciativa privada criou novas oportunidades para melhorar a infraestrutura dos aeroportos regionais. Além disso, órgãos públicos e privados, como a Goinfra em Goiás, estão trabalhando para melhorar esses aeroportos.

O Antares Polo Aeronáutico, um novo aeroporto privado em Aparecida de Goiânia, é um exemplo desse progresso. Com uma pista de pouso grande e infraestrutura moderna, o aeroporto está sendo projetado para apoiar a aviação regional e empresas do setor.

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