Mercado do boi gordo encerra 2024 com queda nas cotações, mas expectativas para 2025 são positivas

Mercado do boi gordo encerra 2024 com queda nas cotações, mas expectativas para 2025 são positivas
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 19 de dezembro de 2024 3

O mercado do boi gordo enfrenta um período de queda nas cotações em dezembro, reflexo de um ímpeto comprador reduzido pela indústria e de uma oferta mais abundante em várias regiões. Em análise divulgada nesta terça-feira, 18 de dezembro, o zootecnista Felipe Fabre, da Scott Consultoria, destacou os principais fatores que têm pressionado os preços na reta final do ano e apontou boas perspectivas para 2025.

Queda de 11% em São Paulo e 8% no Tocantins

Em São Paulo, o preço da arroba do boi gordo iniciou dezembro em R$ 350, mas recuou 11%, fechando o período entre R$ 310 e R$ 315, dependendo da proximidade dos frigoríficos e da categoria negociada. Esse comportamento foi observado também em outras regiões.

No Tocantins, a desvalorização variou entre 8% no norte e 11% no sul do estado, com valores oscilando entre R$ 285 e R$ 290 por arroba. A maior oferta de boiadas, somada ao planejamento já avançado dos frigoríficos para os abates de fim de ano, foi um dos principais fatores que contribuíram para a retração nos preços.

Fatores adicionais: ataque de cigarrinhas e escalas ajustadas

Um fator atípico que impactou a oferta no Tocantins foi o ataque de cigarrinhas nas pastagens, que forçou pecuaristas a entregarem boiadas para reduzir a pressão sobre a capacidade de suporte das pastagens.

Além disso, os frigoríficos locais já trabalham com escalas ajustadas para janeiro, reduzindo a necessidade de novas compras no curto prazo. “As indústrias têm programações fechadas até a primeira semana de janeiro, o que limita a demanda e mantém os preços estáveis no atual patamar”, explicou Fabre.

Perspectivas para 2025

Apesar da retração em dezembro, o mercado entra em 2025 em uma posição mais firme em comparação ao início de 2024. A expectativa é de preços mais atrativos no próximo ano, sustentados por uma oferta ajustada e uma possível recuperação na demanda interna e externa.

No entanto, Fabre alertou para a importância de considerar não apenas o preço, mas também a margem de lucro. “Preço não é margem. Garantir bons resultados exige controle rigoroso dos custos e estratégias de comercialização que otimizem a rentabilidade”, afirmou.

Dicas para os pecuaristas

  • Atenção aos custos: Conhecer e controlar os custos de produção é essencial para aproveitar os melhores momentos de mercado.
  • Planejamento de vendas: Identificar os períodos mais favoráveis para comercialização pode maximizar as margens de lucro.
  • Acompanhamento de mercado: Monitorar as tendências e projeções do mercado é um diferencial para decisões estratégicas.

Com o cenário promissor para o próximo ano, a recomendação é de cautela e planejamento. “2025 tem tudo para ser um ano de oportunidades, mas os pecuaristas precisam estar preparados para aproveitar essas condições de forma eficiente”, concluiu.

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