Na Joatinga, Rafa Vitti comove ao exibir paternidade ativa com Clara Maria

Na Joatinga, Rafa Vitti comove ao exibir paternidade ativa com Clara Maria
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 14 de abril de 2025 2
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As imagens são simples, mas carregadas de potência simbólica: o ator Rafael Vitti, 29 anos, caminhando descalço pela areia da praia da Joatinga, zona oeste do Rio de Janeiro, com a filha Clara Maria, de cinco anos, nos ombros. Fotografados por Dilson Silva, os registros ganharam repercussão nacional e reacenderam uma discussão que tem ganhado fôlego na cultura contemporânea: a valorização da paternidade ativa e afetiva no imaginário público brasileiro.

A naturalidade do momento — sem staff, sem exposição deliberada, apenas pai e filha desfrutando de um fim de tarde à beira-mar — reforça a imagem pública que Rafa Vitti vem consolidando desde o nascimento de Clara, fruto de seu relacionamento com a apresentadora Tatá Werneck.


Dados revelam que homens estão mais presentes, mas ainda minoritários na rotina dos filhos

De acordo com levantamento do IBGE (2023), apenas 31% dos pais brasileiros dividem igualmente a rotina de cuidados com os filhos, e menos de 12% se dedicam integralmente à criação diária. Ainda assim, os dados mostram avanço: em 2012, essa taxa era de apenas 9%.

“A imagem de pais jovens como Rafa Vitti ajuda a construir novos modelos de masculinidade, mais sensíveis, colaborativos e emocionalmente disponíveis”, afirma Cláudia Barros, pesquisadora do Instituto de Estudos da Infância (IEI) e doutora em Psicologia Social pela PUC-SP.

Segundo Cláudia, a visibilidade de figuras públicas exercendo a paternidade de maneira ativa influencia não só os pares geracionais, mas também os discursos midiáticos e educacionais sobre o papel paterno. “Esses gestos públicos importam. Eles são contra a tradição da paternidade distante, da autoridade fria”, completa.


Paternidade pop: afeto, imagem pública e influência cultural

A trajetória de Rafa Vitti, que começou como galã teen em novelas da Globo, evoluiu para um novo tipo de protagonista: o do pai jovem, afetuoso e engajado com a criação da filha. Em entrevistas, o ator já declarou que “o maior papel da vida” é ser pai de Clara Maria.

“Ele representa uma masculinidade contemporânea que mistura vulnerabilidade com responsabilidade. É o oposto da virilidade tóxica”, explica o sociólogo Fernando Sá Leitão, autor do livro Pais em Cena: afetos e masculinidade no Brasil urbano.

A relação com a atriz e comediante Tatá Werneck, também marcada por transparência e senso de humor nas redes sociais, ajuda a compor esse quadro: um casal famoso que compartilha publicamente os dilemas, desafios e delícias da maternidade e da paternidade sem edulcorar a experiência.


Imagens espontâneas e impacto simbólico

As fotos tiradas por Dilson Silva mostram Rafa em trajes simples — bermuda, camiseta branca e sorriso solto — com Clara Maria apoiada em seus ombros, os dois trocando olhares cúmplices e gestos naturais. Sem maquiagem midiática ou preparação publicitária, a cena revela aquilo que a comunicação contemporânea mais valoriza: autenticidade.

“Num momento em que influenciadores investem pesado em narrativa visual roteirizada, essas imagens se destacam justamente por parecerem reais. E isso tem enorme valor simbólico”, pontua a jornalista e especialista em imagem pública Luísa Canedo, editora de comportamento da revista Vida Contemporânea.


Pai presente: tendência social ou exceção?

Se por um lado há uma tendência crescente de pais que participam mais ativamente da criação dos filhos, o cenário ainda está longe de ser equitativo. O último relatório da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal apontou que mulheres ainda dedicam 3,7 vezes mais horas semanais aos cuidados com os filhos do que os homens. A mudança de cultura exige mais do que gestos simbólicos: exige políticas públicas, licença parental estendida e mudança estrutural na divisão do trabalho doméstico.

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