Doces lideram inflação da alimentação fora de casa em Palmas, enquanto lanches mantêm preços estáveis

Doces lideram inflação da alimentação fora de casa em Palmas, enquanto lanches mantêm preços estáveis
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 23 de abril de 2025 2

Comer fora de casa ficou mais caro em Palmas, e quem costuma adoçar o paladar com sobremesas sentiu o peso no bolso. Segundo levantamento do Núcleo Aplicado de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais (NAEPE), divulgado nesta segunda-feira, a alimentação fora do lar na capital tocantinense teve inflação de 3,58% no primeiro trimestre de 2025 em relação aos últimos três meses de 2024. O destaque ficou por conta dos doces, que lideraram o aumento com alta de 5,79%.

Os dados revelam uma inversão de tendência. Durante todo o ano passado, os preços dos doces permaneceram estáveis. Agora, com o novo ciclo inflacionário, sobremesas como açaí e sorvete despontam como os itens com maior reajuste. “Esse comportamento chama atenção porque altera o padrão de consumo e impacta diretamente estabelecimentos especializados, que tendem a repassar rapidamente os aumentos”, avalia um economista ouvida pela reportagem.

Também pressionaram o orçamento do consumidor as refeições completas – como marmitas, pratos feitos e comida por quilo –, com alta de 5,34%. Já o tradicional chambari teve reajuste de 3,53% e as bebidas subiram 2,70%.

Lanches resistem à pressão inflacionária

Na contramão, a categoria dos lanches, que inclui salgados e misto quente, apresentou a menor variação de preços no trimestre, com inflação de apenas 1,85%. Para analistas, esse comportamento indica uma estratégia de mercado: “A estabilidade nos preços dos lanches pode estar relacionada à tentativa de fidelizar consumidores em um contexto de perda de poder de compra. Eles têm sido alternativa mais acessível para trabalhadores e estudantes”.

Os dados trimestrais também reforçam o que já vem se consolidando no comparativo anual. De janeiro a março de 2025, a inflação da alimentação fora de casa foi de 13,69% na comparação com o mesmo período do ano anterior – quase três vezes a inflação oficial do país no mesmo intervalo (5,48%). As bebidas lideraram os aumentos com 18,54%, seguidas por refeições (16%), chambari (12,54%), doces (12,45%) e lanches (6,24%).

Risco de impactos na saúde pública

A aparente boa notícia da estabilidade nos preços dos lanches levanta, no entanto, um alerta. Especialistas ouvidos apontam que o consumo recorrente de opções mais baratas, geralmente ricas em sódio, gorduras e carboidratos, pode representar riscos à saúde da população no médio prazo. “A escolha por refeições menos nutritivas por conta do preço acessível é compreensível, mas pode contribuir para o aumento de doenças crônicas, como obesidade e hipertensão, especialmente em camadas mais vulneráveis da sociedade”, analisa uma nutricionista consultada.

O cenário, afirmam os especialistas, reforça a necessidade de políticas públicas que promovam acesso a refeições saudáveis com preços acessíveis, especialmente em centros urbanos onde a alimentação fora de casa é prática comum.

Os resultados completos da pesquisa “Alimentação Fora de Casa em Palmas”, elaborada pelo NAEPE com apoio do Ministério Público do Tocantins (MP-TO) e do Conselho Regional de Economia (Corecon-TO), podem ser consultados por interessados em aprofundar o debate sobre consumo alimentar e inflação urbana.

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