Primeira queda fatal de um Boeing 787 expõe falha crítica após decolagem na Índia

Primeira queda fatal de um Boeing 787 expõe falha crítica após decolagem na Índia
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 12 de junho de 2025 4

Com 242 pessoas a bordo, voo AI171 caiu segundos após decolar de Ahmedabad; única sobrevivente estava próxima à saída de emergência. Trem de pouso não foi recolhido, e especialistas apontam falha operacional ou mecânica.

 Pela primeira vez desde que começou a operar há 14 anos, o Boeing 787 Dreamliner esteve no centro de uma tragédia fatal. O voo AI171 da Air India, que fazia a rota Ahmedabad–Londres, caiu nesta quarta-feira (12), segundos após a decolagem, deixando ao menos 241 mortos e apenas um sobrevivente.

A aeronave, um 787‑8 com 11 anos de uso, decolou às 13h38 (horário local) do Aeroporto Internacional Sardar Vallabhbhai Patel e perdeu altitude ainda na fase inicial de subida. Segundo informações confirmadas pelas autoridades indianas e britânicas, o avião atingiu o prédio de um hostel universitário próximo ao campus do B.J. Medical College, no bairro de Meghani Nagar, área densamente habitada da capital do estado de Gujarat.

Passageiros e nacionalidades

Estavam a bordo 230 passageiros e 12 tripulantes. De acordo com o Ministério da Aviação indiano, entre os viajantes havia 169 indianos, 53 britânicos, sete portugueses e um canadense. Até o fechamento desta edição, mais de 200 corpos haviam sido recuperados, e equipes de resgate continuavam vasculhando escombros entre destroços em chamas.

O único sobrevivente é Vishwash Kumar Ramesh, cidadão britânico de origem indiana, que ocupava a poltrona 11A. Ele conseguiu escapar pelos próprios meios após o impacto. “Foi como um relâmpago. Eu apenas pulei quando senti que algo estava errado”, relatou Ramesh, ainda em estado de choque, ao canal indiano NDTV.

Investigação: o que deu errado

De acordo com fontes da Direção Geral de Aviação Civil da Índia (DGCA), as gravações preliminares da torre de controle e dados de radar apontam que o Boeing permaneceu com o trem de pouso estendido durante os 32 segundos em que permaneceu no ar. Isso contradiz procedimentos padrão de subida e pode ter afetado a performance aerodinâmica da aeronave.

“O trem de pouso abaixado representa um arrasto significativo, e caso os flaps tenham sido recolhidos antes da hora, o avião poderia ter perdido sustentação”, explica o comandante Rodrigo Sampaio, piloto de linha aérea e instrutor técnico consultado pelo Diário Tocantinense. “A conjugação desses fatores pode indicar erro humano, falha técnica ou uma sequência incompleta de checklist.”

O gravador de dados de voo (FDR) e o gravador de voz da cabine (CVR) foram recuperados e enviados para análise em Nova Délhi. A investigação será liderada pela DGCA em parceria com o AAIB britânico e o NTSB, dos Estados Unidos — país de fabricação do avião.

Histórico e impacto

Este é o primeiro acidente fatal com o modelo 787 Dreamliner, introduzido no mercado pela Boeing em 2011 como sua aeronave de longo alcance mais avançada. Desde então, mais de 1,3 mil unidades foram entregues e o modelo acumulava um histórico de segurança considerado exemplar.

A queda do AI171 marca também o pior desastre aéreo na Índia desde 1996, quando dois aviões colidiram no ar sobre Charkhi Dadri, matando 349 pessoas. Em termos mundiais, é o mais grave acidente com uma única aeronave comercial desde o desastre do voo Lion Air 610 (2018), com 189 mortos.

Repercussão internacional

Líderes de diversos países manifestaram pesar. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou estar “profundamente abalado” com a tragédia. O rei Charles III foi informado pessoalmente pelo gabinete do Ministério das Relações Exteriores. O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, confirmou luto oficial pelas sete vítimas do país.

A Boeing divulgou nota oficial dizendo “lamentar profundamente” o ocorrido e que está colaborando com as investigações. “Estamos enviando uma equipe técnica para apoiar as autoridades locais e clientes envolvidos”, disse a fabricante norte-americana.

Medidas de emergência e assistência

A Air India confirmou o envio de aeronaves de suporte às famílias e ativou um centro de atendimento aos parentes das vítimas em Nova Délhi e Londres. A companhia também anunciou o cancelamento de todos os voos da frota 787‑8 até a conclusão de inspeções preventivas.

A Embaixada do Brasil em Londres informou que, até o momento, não há confirmação de brasileiros a bordo.

Especialistas pedem revisão global de protocolos

Embora o histórico do 787 Dreamliner seja positivo, especialistas em aviação alertam que a pressão por rotas longas e econômicas pode levar a falhas operacionais não percebidas em voos de alta complexidade.

“O 787 é uma máquina segura, mas acidentes assim demonstram que mesmo tecnologias de ponta podem falhar quando há falha humana, omissão ou problema sistêmico”, alerta Sampaio.

Atualizações
O Diário Tocantinense acompanha em tempo real a apuração da causa da queda, a análise da caixa-preta e as reações do setor aéreo mundial.

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