Alinhamento com Lula e PT avança em Palmas com nomeação de Fábio Bernardino para gabinete do prefeito interino
Movimentação reforça presença do partido Agir e articulações com a família Abreu; rompimento com Eduardo Siqueira Campos se consolida e levanta hipóteses sobre influência de Kátia Abreu nos bastidores da crise
Ricardo Fernandes I Diário Tocantinense- Palmas, 2 de julho — A nomeação de Fábio Bernardino da Silva para o cargo de Secretário-Chefe de Gabinete do prefeito interino de Palmas, Carlos Veloso (Agir), marca um novo capítulo na reconfiguração política da capital tocantinense. A escolha do nome, com ligações diretas com o Partido dos Trabalhadores (PT), o presidente Lula e a família Abreu — uma das mais influentes do Nordeste —, sinaliza uma estratégia articulada de ampliação de poder, reconstrução de alianças e inserção de novos grupos no núcleo de decisões da gestão municipal.
Fábio Bernardino tem trajetória consolidada em Brasília e no Nordeste, com passagens por ministérios, assessorias parlamentares e gestões municipais, especialmente em cidades com forte presença petista. Sua chegada ao governo interino de Palmas representa não apenas o fortalecimento do Agir, legenda do prefeito Carlos Veloso, mas também uma abertura institucional à interlocução direta com o governo federal. Segundo apurado, sua nomeação teve aval da cúpula do partido Agir e foi alinhada com lideranças nacionais ligadas ao PT, ampliando as possibilidades de parcerias e apoio técnico-administrativo ao município.
Bernardino é próximo do deputado federal Felipe Martins (PL-TO) e tem relação com a família Abreu, clã com forte influência no Piauí e no entorno do Planalto Central. A aproximação com os Abreu reforça a entrada de novos atores no cenário político de Palmas, especialmente nomes que orbitam os centros de decisão de Brasília. A articulação ainda mira setores estratégicos do Tocantins, como o agronegócio, onde o grupo Abreu mantém forte presença, e pode consolidar uma aliança inédita entre forças de matriz petista e setores econômicos tradicionalmente alinhados à centro-direita.
Além de Fábio Bernardino, outro nome ligado a Brasília e ao Agir também foi oficializado na nova estrutura: a advogada Priscila Alencar Veríssimo de Souza assumiu a Procuradoria-Geral do Município. Com perfil técnico e trânsito político, ela reforça a presença do partido na máquina pública, atendendo às demandas internas do Agir por mais espaço na estrutura municipal, e ao mesmo tempo agradando lideranças políticas locais que vinham pressionando por mudanças após o afastamento de Eduardo Siqueira Campos.
As indicações ocorrem em meio a um contexto de instabilidade política, após a prisão de Eduardo Siqueira Campos (Podemos), acusado de liderar uma organização criminosa que manipulava decisões judiciais. Com o vácuo deixado pela ausência do prefeito eleito, Carlos Veloso tem se movimentado para consolidar sua posição como gestor de fato, operando com autonomia e sinalizando que pretende imprimir sua própria marca na administração.
Com esse novo posicionamento, percebe-se de forma cada vez mais clara que houve, de fato, um rompimento entre o grupo do prefeito afastado e preso, Eduardo Siqueira Campos, e a base política da senadora licenciada Cátia Abreu. A nomeação de Fábio Bernardino — ligado ao PT, a Lula e à própria família Abreu — é simbólica nesse sentido. A exclusão de nomes do círculo político de Eduardo da nova gestão sinaliza um novo alinhamento no poder local, e não apenas uma troca administrativa.
A pergunta que agora ecoa nos bastidores é inevitável: teria Cátia Abreu influência direta ou indireta na prisão de Eduardo? A dúvida paira porque se sabe, nos meios políticos, que a ex-senadora mantém forte influência nos bastidores do governo federal e possui uma relação de amizade consolidada com ministros do Supremo Tribunal Federal. A convergência entre a queda de Eduardo e a ascensão de nomes ligados à sua adversária mais antiga não passa despercebida entre lideranças locais, que veem na atual conjuntura um novo tabuleiro sendo montado com articulações que extrapolam os limites da política municipal.
A presença de lideranças religiosas, como o pastor Amarildo, da Assembleia de Deus Ministério Madureira, também é considerada estratégica. Amarildo tem influência significativa entre vereadores, prefeitos do interior e setores conservadores da sociedade tocantinense. A costura com nomes de origem evangélica, unida à aproximação com a base lulista e com setores do agronegócio, aponta para uma aliança pragmática que transcende as tradicionais divisões partidárias.
Na prática, a gestão interina de Carlos Veloso tem adotado uma lógica de recomposição e redesenho. Ao mesmo tempo em que promove mudanças no alto escalão e rompe com quadros ligados a Eduardo Siqueira Campos, articula uma nova base de apoio, mais ampla e menos dependente dos grupos que hoje estão sob desgaste judicial ou político.
A movimentação de Fábio Bernardino, portanto, não é isolada. Ela representa o avanço de um novo ciclo político em Palmas — mais híbrido, mais institucional, e com olhos voltados não apenas para a capital, mas também para os arranjos estaduais e nacionais que se formarão até 2026. Ainda não há anúncios oficiais sobre pré-candidaturas, mas os nomes indicados, os movimentos de bastidor e os recados simbólicos deixados pela nova gestão indicam que o tabuleiro está em franca reorganização. E, neste novo cenário, os silêncios dizem tanto quanto as nomeações.