Exclusivo I Vicentinho Alves se isola politicamente após defender Eduardo Siqueira Campos e pode rever candidatura ao Senado
Deputado rompeu com aliados do grupo governista que o ajudaram na eleição de 2022 e agora teme perder sustentação com nova gestão na Prefeitura de Palmas, dizem fontes
A crise institucional provocada pela prisão e afastamento do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), está mexendo com o equilíbrio de forças não apenas na capital, mas também nos bastidores da política estadual. Segundo fontes próximas ouvidas pelo Diário Tocantinense, o deputado federal Vicentinho Alves (PL) estaria cada vez mais isolado politicamente — e avaliando, nos bastidores, a possibilidade de desistir da disputa ao Senado Federal em 2026.
O motivo central: sua fidelidade política a Eduardo, que lhe rendeu um rompimento silencioso com o grupo governista estadual, responsável por apoiá-lo na eleição para a Câmara dos Deputados em 2022.
Ruptura com aliados
De acordo com interlocutores com trânsito no Palácio Araguaia e na bancada federal, Vicentinho teria rompido com lideranças ligadas ao governador Wanderlei Barbosa, inclusive com figuras que foram decisivas para garantir sua eleição em 2022. A causa do atrito: a defesa pública e intransigente de Eduardo Siqueira Campos, mesmo diante da gravidade das denúncias que resultaram em sua prisão preventiva e afastamento do cargo.
“Ele comprou briga com o grupo que o ajudou a se eleger. E agora está praticamente sozinho”, relatou uma fonte próxima à articulação governista, sob reserva.
Ainda segundo relatos ouvidos pelo Diário Tocantinense, Vicentinho teria optado por “apostar todas as fichas” na permanência de Eduardo no cargo de prefeito, acreditando que o controle da máquina de Palmas poderia ser a base para sua candidatura ao Senado. Com o avanço do processo judicial e a real possibilidade de que um novo grupo político assuma o comando da capital, o cenário se tornou crítico para o deputado.
Risco de inviabilidade
Fontes afirmam que o parlamentar tem sido aconselhado por aliados remanescentes a rever seus planos para o Senado, sob o argumento de que, sem uma base política sólida em Palmas, sua candidatura se tornaria frágil — e até “inviável” em alguns círculos.
“Vicentinho está acuado politicamente. Ele sabe que, sem Eduardo na Prefeitura, terá que disputar o Senado com a estrutura desmontada. E pode sobrar até para o projeto de reeleição à Câmara”, avaliou um interlocutor que acompanha de perto as movimentações.
Silêncio estratégico e cautela
Até o momento, Vicentinho evita declarações públicas sobre seu futuro político. A interlocutores, ele teria dito que “ainda é cedo” para qualquer decisão definitiva. Mas o silêncio é interpretado por setores do PL e do centrão como um recuo cauteloso, enquanto aguarda a definição sobre o destino jurídico e político de Eduardo Siqueira Campos.
Apesar disso, o desgaste com o grupo governista é considerado profundo. E uma eventual tentativa de reconciliação agora exigiria, segundo fontes palacianas, “um gesto de humildade que Vicentinho ainda não sinalizou estar disposto a fazer”.
Reconfiguração do cenário
Caso desista da disputa ao Senado, Vicentinho abre espaço para outros nomes do campo governista, além de dar margem para um possível nome apoiado diretamente pelo Palácio Araguaia — ou até pela nova gestão da Prefeitura, caso Eduardo não retorne ao cargo.
O momento, portanto, é de impasse. Com o afastamento de Eduardo e a fragmentação das alianças, Vicentinho se vê em um encruzilhada política que pode redefinir sua carreira nos próximos meses.
O Diário Tocantinense abre espaço para que o parlamentar comente o assunto.
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