Mercado reduz projeção de inflação e mantém juros em 15%: Focus aponta cautela e risco fiscal até o fim de 2025
Relatório do Banco Central mostra melhora tímida no IPCA, crescimento moderado do PIB e estabilidade cambial; Selic segue elevada diante de incertezas fiscais
O mercado financeiro reduziu, pela segunda semana consecutiva, a projeção de inflação para 2025, segundo o Relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (8). A expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 5,20% para 5,18%, em movimento que indica percepção de maior controle dos preços, mas ainda distante da meta de 3,0% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Apesar do alívio marginal na inflação, o relatório manteve a estimativa da taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano até dezembro. A sinalização reforça o cenário de política monetária restritiva como principal ferramenta para conter as pressões inflacionárias e manter as expectativas ancoradas, diante de incertezas fiscais e de uma dívida pública que se aproxima de 66% do PIB.
Crescimento segue modesto, mas com viés de alta
O Produto Interno Bruto (PIB) teve uma leve revisão positiva, passando de 2,21% para 2,23%. Embora o número ainda indique um ritmo de recuperação moderado, a melhora sinaliza maior resiliência da atividade econômica no primeiro semestre, em especial nos setores de serviços e agropecuária. No entanto, analistas seguem apontando a necessidade de avanços em reformas estruturais para sustentar a expansão econômica em médio prazo.
Câmbio estável, mas contas externas seguem pressionadas
A estimativa para o dólar ao fim de 2025 permanece em R$ 5,65, com volatilidade moderada nas últimas semanas. Já o déficit em conta corrente continua sendo um ponto de atenção. A projeção atual é de um saldo negativo de US$ 56,7 bilhões, o que, aliado ao crescimento da dívida pública líquida (estimada em 65,8% do PIB), reforça o alerta sobre o desequilíbrio nas contas externas e a necessidade de um ajuste fiscal consistente.
Projeções para 2026 mantêm sinal amarelo aceso
As previsões para 2026 seguem refletindo um cenário de cautela. A expectativa para o IPCA do próximo ano está em 4,20%, ainda acima da meta de 3%, e a taxa Selic, embora com perspectiva de queda, só deve começar a recuar a partir do segundo semestre. A projeção é de que o ciclo de afrouxamento monetário ocorra de forma gradual, condicionada à desaceleração sustentada da inflação e à melhora nos indicadores fiscais.
Com esse quadro, o Relatório Focus de julho aponta um cenário de estabilidade no curto prazo, mas com riscos relevantes no médio e longo prazo. A manutenção da Selic em patamar elevado, a inflação acima da meta e os alertas sobre o desequilíbrio fiscal colocam em xeque a capacidade do país de combinar crescimento robusto com responsabilidade macroeconômica. O mercado segue monitorando os desdobramentos das contas públicas, do cenário externo e das sinalizações do governo quanto a medidas de controle de gastos e estímulo à produtividade.