Moraes sob risco nos EUA, Trump ataca Lula, STF reage e União Brasil disputa Correios
Projeto americano prevê sanções a autoridades brasileiras; presidente dos EUA retoma ataques ao Judiciário e a Lula, enquanto disputa por estatal acirra embate político no Brasil
Brasília — Um projeto de lei em tramitação no Congresso dos Estados Unidos reacendeu o alerta em Brasília ao prever a possibilidade de sanções contra autoridades brasileiras, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Baseado no chamado Global Magnitsky Act, o texto permite a aplicação de punições como o bloqueio de bens e a revogação de vistos de entrada em território americano sob alegação de violações graves de direitos humanos.
Parlamentares republicanos, próximos ao presidente Donald Trump, têm citado diretamente o nome de Moraes como alvo possível, em razão das decisões tomadas pelo magistrado no combate à desinformação e à tentativa de golpe após as eleições de 2022. A movimentação foi considerada grave pelo Itamaraty e levou o STF a emitir uma resposta institucional, afirmando que qualquer medida desse tipo configuraria interferência inaceitável na soberania brasileira.
Nos bastidores, o Supremo intensificou conversas com o Ministério das Relações Exteriores para organizar uma estratégia conjunta de contenção. Há, também, expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva leve o tema à cúpula do G20, destacando a importância da independência entre os Poderes e da não ingerência externa em processos judiciais nacionais.
A crise diplomática ganhou novos contornos após Donald Trump voltar a atacar o governo Lula em suas redes sociais. Em uma série de postagens, o ex-presidente americano acusou o presidente brasileiro de perseguir Jair Bolsonaro, criticou decisões do STF e disse que “a liberdade no Brasil está sob ameaça”. Em resposta, o governo brasileiro divulgou nota oficial reafirmando a legitimidade das instituições e o compromisso com a democracia. Lula também afirmou que o Brasil não aceitará intimidações e reforçou a ideia de que as decisões judiciais são de competência exclusiva do Judiciário brasileiro.
Enquanto isso, no campo político interno, a presidência dos Correios virou foco de disputa entre o União Brasil e o grupo político do senador Davi Alcolumbre. A pressão sobre o então presidente da estatal, Fabiano Silva dos Santos — indicado pelo PT e ligado ao grupo Prerrogativas —, aumentou nas últimas semanas após exigências da Casa Civil por um plano de corte de despesas, redução de pessoal e alienação de ativos. A resistência de Fabiano em executar as medidas, somada ao esvaziamento político da sua indicação, culminou em sua renúncia.
A disputa é estratégica: Alcolumbre pleiteia a nomeação de um aliado para a presidência da estatal, enquanto o União Brasil tenta emplacar um nome técnico ligado à bancada da Câmara. A presidência dos Correios controla orçamento bilionário e pode ser determinante para articulações políticas em torno das eleições municipais de 2026.
A possível entrega da estatal ao grupo de Alcolumbre tem gerado críticas de aliados do governo e reações dentro do próprio PT, que veem na negociação uma capitulação às pressões do Centrão. Em paralelo, o União Brasil tenta garantir que a nomeação não seja apenas uma concessão política, mas que venha acompanhada de respaldo técnico e de metas claras de eficiência.
O cenário político, portanto, se vê tensionado tanto no plano externo quanto no interno: de um lado, o risco de sanções unilaterais dos EUA, impulsionadas por Trump; de outro, a batalha silenciosa pelas estatais, que segue como moeda de troca em um governo que tenta manter sua base sob controle. Em ambas as frentes, o pano de fundo é o mesmo: a disputa por poder e narrativa em um momento de fragilidade institucional e instabilidade diplomática.