Editorial: Onde se levam pedras, o que resta é dar flores: o papel do jornalismo que não revida

Editorial: Onde se levam pedras, o que resta é dar flores: o papel do jornalismo que não revida
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 16 de julho de 2025 3

Em tempos de polarização e ataques gratuitos, cresce o valor de quem escolhe a escuta, a apuração e a verdade. Num país onde palavras têm sido armas e manchetes, trincheiras, o jornalismo ético permanece como uma ponte — e não como um campo de batalha.

Há um velho provérbio africano que diz: “Quando os elefantes brigam, é a grama que sofre.” No Brasil, muitas vezes, o jornalismo é colocado entre esses elefantes: alvo de pressões, desconfianças e tentativas de instrumentalização. Ainda assim, resistimos. E resistimos não revidando.

Neste momento em que a imprensa é testada — por narrativas distorcidas, por interesses particulares e por disputas que desejam nos cooptar — é preciso reafirmar o nosso papel: informar com responsabilidade, ouvir todos os lados, e entregar à sociedade o que lhe é de direito — a verdade apurada com rigor, e não a vingança escrita com pressa.

Porque o jornalismo que revida, fere a si mesmo?

Porque o jornalismo que responde com raiva perde a razão de existir.

E porque, ao fim, onde se atiram pedras, o que nos resta — e o que nos eleva — é devolver com flores: flores feitas de fatos, de contexto, de ética, de maturidade institucional. Flores que não escondem a crítica, mas a exercem com respeito.

É sobre isso que trata este editorial.

Quando uma manchete incomoda, quando uma denúncia ecoa, quando uma pergunta é feita com firmeza, muitas vezes a resposta vem em forma de agressão. Faz parte. Mas a resposta do jornalismo deve vir em forma de compromisso público. Não baixamos o tom, mas também não subimos o tom para ofender. Elevamos o conteúdo.

Não somos perfeitos. Mas não confundimos nosso ofício com militância, nem nossos erros com intenção. E é por isso que, no Diário Tocantinense, seguimos firmes no propósito de ser uma fonte confiável, honesta e comprometida com a sociedade — não com projetos de poder.

Nos ensinaram que “a palavra convence, mas o exemplo arrasta”. Que nosso exemplo, então, continue sendo o de uma redação que não responde com revanchismo, mas com trabalho. Com checagem. Com serenidade.

Se nos atirarem pedras, devolvemos com jornalismo.

Se nos exigirem respostas, responderemos com apuração.

E se nos questionarem quem somos, apontaremos para nosso histórico de compromisso com a verdade — e deixaremos que nossos leitores julguem, como sempre devem.

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