Conflito entre Israel e árabes tem raízes espirituais, diz líder cristão

Conflito entre Israel e árabes tem raízes espirituais, diz líder cristão
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 17 de julho de 2025 5

Em série de vídeos, Apóstolo Bueno Junior afirma que guerra atual remonta ao rompimento entre Ismael e Isaac, filhos de Abraão. Para ele, o que se vê no Oriente Médio é um drama familiar não resolvido

A escalada de violência no Oriente Médio, com o prolongamento da guerra entre Israel e grupos armados da Palestina, tem provocado uma série de reflexões também no meio religioso. Em uma nova série de vídeos que viralizou nas redes sociais, o líder evangélico Apóstolo Bueno Junior propõe uma leitura teológica para o conflito, resgatando as figuras bíblicas de Ismael e Isaac, filhos de Abraão, como origem espiritual da disputa atual.

“Essa guerra não começou com foguetes. Começou dentro de uma casa, entre dois irmãos”, afirma o apóstolo no primeiro episódio da série O Conflito Entre Irmãos, que já soma milhares de visualizações. “Ismael, o filho da impaciência. Isaac, o filho da promessa. Ambos foram abençoados, mas separados por dores emocionais e escolhas humanas. Essa ferida continua aberta.”

Segundo Bueno Junior, o que se desenrola em Jerusalém, Gaza e nos corredores das Nações Unidas não pode ser compreendido apenas sob a ótica da geopolítica. Para ele, o conflito é também espiritual, e remete a um rompimento ancestral: “Em Gênesis 16, Deus já havia dito sobre Ismael: ‘a sua mão será contra todos, e a mão de todos será contra ele’. Isso não é uma rejeição divina, mas um retrato da dor de não ser o herdeiro”.

A interpretação teológica proposta pelo líder cristão coloca o conflito Israel-Palestina dentro de uma narrativa profética. “É uma disputa por identidade, por herança e por destino. É uma guerra espiritual entre irmãos, um drama milenar que nasceu nas tendas de Abraão e nunca foi resolvido no coração dos seus descendentes”, afirma.

Repercussão entre evangélicos

A fala tem repercutido entre líderes evangélicos e comunidades cristãs, especialmente aquelas ligadas ao movimento pró-Israel. Embora a visão não seja consensual, muitos fiéis interpretam os eventos atuais como sinais proféticos. Pastores e pregadores pentecostais têm utilizado a leitura de Bueno Junior como ponto de partida para estudos bíblicos, cultos temáticos e vigílias de oração.

“A guerra de hoje é reflexo de uma ferida antiga”, diz o pastor Alan Costa, da Assembleia Missionária Restauração. “Quando a promessa é dada a um e não ao outro, quando a bênção se concretiza sobre um irmão e não sobre o outro, isso gera uma ruptura que só Deus pode curar.”

O segundo episódio da série está previsto para estrear ainda nesta semana e deve aprofundar a questão da escolha divina: “Será que Israel ainda é o povo escolhido?”, questiona Bueno Junior no teaser divulgado. A expectativa é que ele aborde a relação entre as profecias bíblicas e o papel da igreja nos tempos atuais.

Debate complexo

Especialistas em Teologia e Relações Internacionais alertam, no entanto, para os riscos de simplificações. Para a professora Miriam Lacerda, da PUC-SP, “embora o simbolismo religioso tenha forte impacto na compreensão popular dos conflitos, é importante não ignorar as causas históricas, territoriais e políticas da disputa”. Ainda assim, ela reconhece que a abordagem religiosa tem grande ressonância entre as comunidades de fé.

Enquanto tanques avançam e tratados fracassam, cresce entre fiéis a busca por explicações nas Escrituras. Para muitos, o que acontece hoje em Gaza e Tel Aviv ecoa não apenas no noticiário, mas também nas páginas do Gênesis.

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