Quinta do Agro | Arroba do boi cai até R$ 5 no Tocantins após tarifa dos EUA, aponta especialista da Scot Consultoria
Segundo o engenheiro agrônomo Gustavo Duprat, recuo reflete escoamento fraco da carne no mercado interno e cautela dos frigoríficos após sobretaxa americana de 50% sobre a carne bovina brasileira
O mercado do boi gordo no Tocantins iniciou a segunda quinzena de julho sob pressão. De acordo com o engenheiro agrônomo Gustavo Duprat, analista de mercado da Scot Consultoria, a combinação entre o consumo interno enfraquecido e a recente imposição de tarifas de 50% sobre a carne bovina brasileira pelo governo dos Estados Unidos gerou instabilidade no setor e levou frigoríficos a adotarem uma postura mais cautelosa nas negociações. O reflexo imediato foi a queda nos preços pagos pela arroba, que recuaram até R$ 5,00 em algumas regiões do estado.
“O anúncio da tarifa impactou diretamente o apetite das indústrias exportadoras. Com mais oferta de boiada e menor ritmo de compras, os compradores reduziram os valores da arroba em diferentes praças tocantinenses”, explica Duprat.
Região Sul: recuos generalizados
Segundo o levantamento da Scot, na região Sul do Tocantins, a cotação da arroba recuou R$ 5,00 para todas as três categorias analisadas:
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Boi gordo: R$ 280,00/@
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Vaca: R$ 255,00/@
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Novilha: R$ 260,00/@
As escalas de abate estão em média de 6 dias, o que indica que os frigoríficos estão comprando com moderação e mantendo estoques relativamente ajustados.
Região Norte: queda moderada e estabilidade parcial
Na região Norte do estado, o movimento de baixa foi mais moderado: a cotação da arroba caiu R$ 2,00 para o boi gordo e a novilha, enquanto a vaca teve estabilidade:
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Boi gordo: R$ 280,00/@
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Vaca: R$ 252,00/@
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Novilha: R$ 255,00/@
As escalas de abate nessa região estão um pouco mais confortáveis, com média de 8 dias, o que reforça a leitura de que as compras seguem em ritmo mais lento, com pressão sobre o pecuarista.
Boi China mantém diferencial
Apesar do ambiente de retração, o boi China — animal jovem e com rastreabilidade exigida pelo mercado asiático — manteve a cotação de R$ 285,00/@, o que representa um ágio de R$ 5,00/@ em relação ao boi comum. O movimento mostra que a demanda externa, especialmente a chinesa, ainda sustenta os preços diferenciados para animais com padrão de exportação premium.
Cenário de curto prazo é de cautela
Para Gustavo Duprat, o momento exige atenção por parte dos produtores. “A tendência é que o mercado siga pressionado enquanto a demanda interna não reage e a situação com os Estados Unidos não se estabiliza. A cautela dos frigoríficos deve permanecer, e os preços podem seguir voláteis ao longo das próximas semanas.”
O especialista também destaca que a volatilidade cambial, os custos de produção e os entraves logísticos ainda são fatores que limitam a recomposição das margens no setor.