Editorial: Eduardo Bolsonaro articula sanções contra STF e vira peça de Trump contra o BRICS

Editorial: Eduardo Bolsonaro articula sanções contra STF e vira peça de Trump contra o BRICS
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 19 de julho de 2025 2

Deputado intensifica ofensiva internacional, pressiona por retaliações e contribui com estratégia geopolítica de Washington contra o Brasil

A atuação de Eduardo Bolsonaro em Washington ultrapassou o campo da retórica. O deputado tem feito reuniões com republicanos influentes, como aliados de Donald Trump e estrategistas do Partido Republicano, para denunciar supostos abusos do Supremo Tribunal Federal e sugerir sanções diretas contra ministros, especialmente Alexandre de Moraes.

Segundo a Polícia Federal e a Abin, a estratégia envolve interferência diplomática e viola diretamente princípios da soberania nacional. O Supremo reagiu com a imposição de tornozeleira eletrônica e restrição de contatos com autoridades estrangeiras, medida autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.

Eduardo Bolsonaro como instrumento na guerra contra o BRICS

As ações de Eduardo Bolsonaro coincidem com a imposição de tarifas de até 50% por parte de Donald Trump sobre produtos brasileiros. A justificativa, embora pública, esconde outra intenção: atingir a influência crescente do Brasil no BRICS e comprometer a liderança sul-americana no bloco.

Trump declarou que o BRICS “não resistiria se formado de modo real”, deixando claro o objetivo de fragmentar o bloco. Com o Brasil enfraquecido, a cooperação Sul-Sul perde força, e as iniciativas de desdolarização e criação de moedas próprias — como o BRICS Pay — ficam ameaçadas.

Eduardo Bolsonaro e a violação da soberania nacional

Ao buscar apoio estrangeiro contra decisões do Judiciário brasileiro, Eduardo Bolsonaro incorre, segundo juristas, em três potenciais crimes: atentado ao Estado Democrático de Direito (art. 359-L), coação no curso do processo (art. 344) e articulação contra a soberania nacional.

A Procuradoria-Geral da República avalia novos pedidos de cautelares e não descarta a prisão preventiva, caso o deputado mantenha seu papel de articulador internacional contra instituições nacionais.

A máquina bolsonarista: Eduardo, Flávio e Carlos em frentes complementares

A ofensiva contra o sistema institucional brasileiro é sustentada por três pilares:

  • Eduardo Bolsonaro, na diplomacia paralela, articula com Trump e lideranças populistas no exterior;

  • Flávio Bolsonaro, no Senado, busca sustentação legal e apoio conservador;

  • Carlos Bolsonaro reativa o “gabinete do ódio” e dissemina ataques digitais contra o STF e a imprensa.

Relatórios da CPMI do 8 de Janeiro mostram que a estrutura de comunicação bolsonarista voltou a funcionar com a mesma intensidade de 2022.

Eduardo Bolsonaro fortalece narrativa de perseguição internacional

O discurso de Eduardo Bolsonaro é simples: seu pai está sendo perseguido. Com isso, angaria apoio da base trumpista e transfere o embate interno do Brasil para o cenário global. O que antes era uma disputa institucional torna-se elemento de guerra ideológica.

Para analistas políticos, a construção da imagem de “vítima do sistema” serve tanto aos interesses da família Bolsonaro quanto aos de Trump, que se beneficia da instabilidade em países do Sul Global para minar coalizões multilaterais.

 Eduardo Bolsonaro, geopolítica e risco institucional

Eduardo Bolsonaro transformou-se de deputado em figura-chave de uma engrenagem que envolve geopolítica, sabotagem institucional e crise democrática. Sua aliança informal com Trump resultou em tarifas que prejudicam a economia brasileira e tensionam a posição do país no BRICS.

Ao permitir que interesses estrangeiros interfiram no funcionamento de instituições nacionais, o Brasil corre o risco de abrir precedente perigoso. A resposta precisa ser jurídica, firme e proporcional ao grau da ameaça.

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