Melado de taboca: tradição do Tocantins ganha destaque como aliado natural da saúde

Melado de taboca: tradição do Tocantins ganha destaque como aliado natural da saúde
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 21 de julho de 2025 2

Com sabor marcante, coloração escura e um aroma que remete à rusticidade do Cerrado, o melado de taboca começa a romper os limites das feiras regionais e a ganhar visibilidade como alternativa natural para quem busca equilíbrio nutricional e vitalidade. Produzido artesanalmente em diversas regiões do Tocantins, especialmente em Colinas e Palmeirante, o produto é resultado direto da fervura prolongada do caldo da cana-de-açúcar, com diferenciais no processo que garantem mais corpo, densidade e propriedades preservadas.

Em tempos de redescoberta da alimentação funcional, o melado de taboca tem conquistado espaço nas prescrições de nutricionistas, terapeutas e consumidores atentos à valorização de alimentos regionais com potencial terapêutico. A nutricionista funcional Juliana Diniz explica que o produto é uma fonte rica de energia, ideal para combater o cansaço físico e mental.

— Diferente do açúcar refinado, o melado preserva minerais como ferro, cálcio e magnésio. Quando consumido com moderação, pode contribuir para o fortalecimento do sistema imunológico e o alívio de sintomas como fadiga crônica e dores musculares — afirma.

Consumo e propriedades

Segundo especialistas, o melado pode ser incluído no café da manhã, misturado a frutas, tapioca ou mingau de aveia. Em receitas fitoterápicas locais, é comum o uso do melado combinado a limão, gengibre ou chá de hortelã para tratar gripes e indisposição.

A fisioterapeuta e fitoterapeuta Rosana Monteiro, de Araguaína, reforça o potencial do produto em tratamentos complementares.

— O melado de taboca é um alimento ancestral. Além de fornecer energia imediata, ele auxilia em processos de recuperação muscular e atua como tônico natural, especialmente em períodos de pós-infecção ou baixa imunidade — destaca Rosana.

Produção artesanal e resistência cultural

Na zona rural de Palmeirante, o agricultor José Batista Araújo mantém a tradição da produção familiar há mais de 20 anos. Ele afirma que a técnica foi aprendida com o pai, e que a procura pelo produto tem crescido entre visitantes e clientes das cidades vizinhas.

— O segredo está no ponto certo da fervura e na cana escolhida. A taboca boa é aquela colhida madura, com o caldo bem doce. Aqui a gente não usa aditivo nenhum, é só o natural mesmo — conta José, enquanto mexe o tacho de ferro sob o fogão à lenha.

A produção acontece geralmente entre os meses de abril e setembro, quando as chuvas diminuem e a cana-de-açúcar atinge maturação ideal. Cada fornada rende cerca de 40 a 50 litros de melado puro, embalado ainda quente em potes de vidro ou garrafas plásticas reaproveitadas.

Valorização da cultura alimentar do Cerrado

O resgate e valorização do melado de taboca como alimento funcional é também uma forma de preservar o conhecimento tradicional e fortalecer a economia rural local. Para especialistas da área da saúde natural, o produto simboliza uma ponte entre cultura e bem-estar.

— Quando optamos por produtos como o melado de taboca, estamos não apenas nutrindo o corpo, mas também fortalecendo comunidades e formas de vida que resistem à padronização alimentar — conclui Juliana Diniz.


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