Com investimento de R$ 20 milhões, Gaguim abraça projeto de aeroporto no Jalapão e prevê entrega em 2025
Obra em São Félix do Tocantins deve facilitar o acesso à principal região turística do estado e estimular geração de renda. Carlos Gaguim destinou metade dos recursos e abraçou o projeto como prioridade de mandato. Saiba mais sobre o Jalapão.
O Jalapão, uma das regiões mais emblemáticas do ecoturismo brasileiro, deve ganhar seu primeiro aeroporto até dezembro de 2025. A obra, localizada no município de São Félix do Tocantins, recebeu investimento total de R$ 20 milhões — sendo R$ 10 milhões por meio de emenda parlamentar do deputado federal Carlos Gaguim (União Brasil)e os outros R$ 10 milhões aportados pelo Governo do Tocantins.
Gaguim, que abraçou a articulação política da obra, considera o projeto como uma resposta ao isolamento da região e ao crescimento do turismo de natureza.
— O Jalapão é um dos maiores patrimônios naturais do Brasil. Mas o acesso ainda é uma barreira. Abracei esse projeto porque acredito que a infraestrutura deve abrir caminho para o desenvolvimento. O aeroporto é só o começo — disse o parlamentar, que é aliado do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos).
Terminal aéreo deve encurtar distâncias e atrair novos públicos no Jalapão
Hoje, o trajeto entre Palmas e São Félix leva cerca de 6 horas por estrada, com trechos de chão batido e baixa sinalização. Com a nova estrutura, o tempo será reduzido a menos de 1h30 em voos de pequeno porte. A pista já está sendo implantada, e o terminal deve atender turistas, pesquisadores, operadores logísticos e expedições culturais.A obra está sob responsabilidade da Construtora Belmonte e supervisionada pela Secretaria de Estado do Turismo (Setur), com financiamento parcial da Caixa Econômica Federal.
Turismo no Jalapão movimenta R$ 724 milhões no estado e sustenta comunidades tradicionais
Em 2023, o Jalapão registrou 53.966 visitantes. Os dados do governo estadual apontam que o setor turístico movimentou R$ 724 milhões no Tocantins em 2024. Estima-se que o gasto médio por turista na região supere R$ 3 mil, considerando pacotes, hospedagens, alimentação e compras de artesanato.
O modelo de turismo comunitário é um dos principais motores da economia local. Em Mumbuca, por exemplo, a produção de peças em capim-dourado liderada por mulheres representa mais de 80% da renda das famílias.
— Hoje eu vivo do que tiro da terra, da nossa arte. O aeroporto vai trazer mais gente, mais oportunidade. Mas queremos que tudo seja com respeito à nossa cultura — afirma Cleonice Batista, artesã da comunidade.
Gaguim aposta em legado e articula novos projetos para a região

Carlos Gaguim tem afirmado que o Jalapão será uma das prioridades de seu mandato na Câmara Federal. A entrega do aeroporto deve reforçar sua presença política na região e ampliar o fluxo de recursos federais para o turismo no Tocantins.
— Nosso objetivo é abrir portas. O aeroporto é o início de uma rota de desenvolvimento. O Jalapão é bonito demais para continuar sendo de difícil acesso. Agora, vamos conectá-lo ao Brasil e ao mundo — declarou.
A previsão é que o terminal esteja pronto até dezembro de 2025, com estrutura para voos fretados, táxis aéreos e apoio logístico a pesquisadores, agências e expedições ambientais. Até lá, o governo promete finalizar as obras de pavimentação da TO-247, além de sinalizar trilhas e investir em campanhas de turismo de baixa temporada.

Oásis do Cerrado: Jalapão atrai turistas com dunas douradas, fervedouros e cultura quilombola

Situado no leste do Tocantins, o Jalapão tornou-se um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil. A região, que abriga o Parque Estadual do Jalapão e outras áreas de proteção ambiental, se estende por cerca de 34 mil km² e atrai visitantes com suas paisagens únicas: dunas alaranjadas, fervedouros cristalinos, cachoeiras volumosas e trilhas em meio ao cerrado nativo. Criado em 2001, o parque é dividido entre os municípios de Mateiros, São Félix do Tocantins, Ponte Alta e Novo Acordo.
A viagem até lá é parte da experiência. A partir de Palmas, capital do estado, são cerca de 300 quilômetros por estradas de terra e areia que exigem veículos 4×4 e, preferencialmente, guias especializados. A melhor época para visitação vai de maio a setembro, durante a estação seca. No período chuvoso, de novembro a março, o acesso torna-se mais difícil.
Entre os principais atrativos estão os fervedouros — nascentes de água que brotam sob pressão, impedindo o corpo de afundar — como o Fervedouro do Ceiça e o Bela Vista. As Dunas do Jalapão, formadas pela erosão da Serra do Espírito Santo, oferecem um pôr do sol considerado um dos mais bonitos do país. A região também conta com cachoeiras como a do Formiga e da Velha, além do cânion Sussuapara e da Pedra Furada, formações geológicas que impressionam pela força da natureza.
Além da beleza cênica, o Jalapão guarda importantes referências culturais. Na comunidade quilombola de Mumbuca, o visitante pode conhecer o artesanato feito com capim-dourado, planta típica da região, símbolo da economia criativa local e patrimônio cultural do Tocantins.
Com estrutura turística em crescimento, o Jalapão recebeu em 2019 mais de 33 mil visitantes apenas nas dunas, segundo dados do Instituto Natureza do Tocantins. A região ganhou projeção após ser cenário da novela O Outro Lado do Paraísoe do reality show Survivor: Tocantins.
A experiência no Jalapão é recomendada para quem busca turismo de natureza, com forte apelo à sustentabilidade e à valorização das comunidades locais. Operadoras oferecem pacotes que variam de 3 a 7 dias, incluindo hospedagem, alimentação, passeios guiados e transporte off-road.

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