Preço da abobrinha dispara no Tocantins e pressiona bolso do consumidor

Preço da abobrinha dispara no Tocantins e pressiona bolso do consumidor
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 23 de julho de 2025 7

Em Palmas e Gurupi, hortaliças lideram altas de preços em julho. Conab registra aumentos de até 25% em itens básicos. Feirantes amargam queda nas vendas, donas de casa se desdobram e economistas alertam para impactos mais amplos na inflação alimentar.

Palmas – A abobrinha virou símbolo da inflação nos mercados tocantinenses. De acordo com os dados mais recentes do Prohort/Conab, o preço do quilo da hortaliça saltou 25% em Palmas e 22% em Gurupi no último mês. Em meio à temporada seca e com menor oferta nos cinturões produtores, os consumidores se deparam com valores que superam R$ 9,50 o quilo — quase o dobro da média registrada no mesmo período do ano passado.

A tendência de alta, no entanto, não se limita à abobrinha. O pepino também teve variação acentuada: subiu 18% em Palmas e 15% em Gurupi. O arroz tipo 1, pacote de 5 kg, atingiu R$ 21,50 na capital, enquanto o feijão carioca chegou a R$ 9,10 o quilo. Tomate, cenoura e batata também apresentaram oscilações positivas entre 8% e 12%, segundo levantamento do próprio sistema Ceasa Digital.

“Não dá pra fazer a feira como antes”, diz consumidora

Na Feira do Bosque, em Palmas, a dona de casa Maria das Dores Silva, de 62 anos, mostra o carrinho mais vazio do que o habitual. “Antes, com R$ 50 eu fazia feira pra três dias. Agora, mal dá pra dois. A abobrinha eu deixei de lado, virou artigo de luxo. O jeito é adaptar o cardápio com o que estiver mais em conta”, lamenta.

Em Gurupi, a servidora pública Rosa Amélia dos Santos, 39, relata mudança nos hábitos: “A gente está comprando menos, cortando hortaliças e frutas. O pepino que meu filho adora, não levo faz semanas. Está tudo caro. Só no arroz e no feijão já vão quase R$ 30. Como fica o restante?”

Feirantes registram queda nas vendas

O feirante José Carlos da Silva, que trabalha há 18 anos, em Gurupi, afirma que o movimento caiu. “O povo reclama, pechincha, leva menos. A abobrinha mesmo encalha. Eu trouxe duas caixas semana passada e não vendi nem a metade. E o problema nem é o lucro: é o custo que disparou. Transporte, frete, fornecedor… tudo subiu.”

Segundo ele, parte dos produtos vem de Goiás e Minas Gerais, e o custo com combustíveis e transporte rodoviário tem pesado na composição final. “A gente não consegue segurar o preço quando o custo vem alto desde a origem”, completa.

Especialistas alertam para inflação de alimentos mais prolongada

Para o economista Dr. Renan Almeida, o cenário preocupa. “Estamos diante de um ciclo de encarecimento dos alimentos in natura, especialmente hortaliças, que têm menor escala de produção e são mais vulneráveis a variações climáticas. No Tocantins, temos baixa produção local em larga escala, o que gera dependência de fornecedores de fora.”

Segundo ele, a alta da abobrinha é apenas o sintoma mais visível de uma cadeia desequilibrada. “O consumidor percebe o impacto na feira, mas o problema está em toda a cadeia logística, na escassez de estoques reguladores, no preço do diesel e na falta de incentivos ao pequeno produtor. Quando o poder de compra cai, há retração no consumo e pressão social sobre as famílias de baixa renda”, analisa.

Comparativo com o mês anterior

De acordo com os dados da Ceasa Digital/Conab para Palmas e Gurupi:

Produto Junho (R$) Julho (R$) Variação
Abobrinha (kg) 7,60 9,50 +25%
Pepino (kg) 5,50 6,50 +18%
Feijão (kg) 8,40 9,10 +8,3%
Arroz (5kg) 20,00 21,50 +7,5%
Tomate (kg) 6,80 7,60 +11,7%
Cenoura (kg) 4,20 4,70 +11,9%

Possíveis soluções e caminhos

A curto prazo, a orientação dos economistas é de que os consumidores acompanhem os preços pelos canais oficiais — como o app Prohort — e substituam alimentos com alta acentuada por outros com melhor custo-benefício. Já para o médio e longo prazo, o economista defende investimento em produção local e maior apoio à agricultura familiar no Tocantins.

“É fundamental estimular hortas comunitárias, cadeias curtas de distribuição e assistência técnica ao produtor. Enquanto ficarmos dependentes de Ceasas de outros estados, estaremos vulneráveis a esses picos de preço”, conclui Dr. Renan.

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