Mercado do Boi no Tocantins sofre pressão de baixa, mas cenário deve melhorar a partir de setembro, avalia Scot Consultoria ao Diário Tocantinense
O mercado do boi no Tocantins está enfrentando uma queda nas cotações em julho, influenciado por tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, avanço do inverno e baixa no consumo interno. Apesar disso, a Scot Consultoria acredita que a pressão é temporária e o cenário deve melhorar a partir de setembro, com expectativa de alta nas exportações e maior consumo doméstico.
Análise exclusiva de Felipe Fabri, zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria, ao Diário Tocantinense “O mercado do boi gordo tem passado por uma fase de retração de preços na segunda quinzena de julho, também refletida diretamente no Tocantins”. De acordo com Felipe Fabri, zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria, o movimento de baixa tem sido observado nacionalmente e no estado, mas deve ser passageiro.
“No Tocantins, nós saímos de uma referência entre R$ 290,00 a R$ 295,00 por arroba do boi gordo no mês passado para patamares atuais de R$ 275,00 a R$ 280,00”, destacou Fabri. Segundo ele, a pressão também atinge as fêmeas – vacas e novilhas –, que sofreram desvalorização semelhante.
Fatores que influenciam a queda
Três fatores principais explicam esse cenário:
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Tarifas anunciadas pelos Estados Unidos: O governo norte-americano confirmou novas tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, com vigência prevista para 1º de agosto. A notícia gerou instabilidade no mercado e pressionou as cotações para baixo.
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Avanço do inverno e redução da capacidade de suporte: Com a chegada da estação mais fria, a pastagem perde vigor e os pecuaristas precisam escoar mais rapidamente seus animais terminados, aumentando a oferta às indústrias frigoríficas.
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Baixo poder de compra do consumidor brasileiro: A renda interna mais restrita também impacta o consumo de carne bovina, forçando as indústrias a reduzir os preços pagos pela arroba.
Além disso, o dólar em baixa – chegando ao menor patamar de 2025, na casa dos R$ 5,40 – afeta negativamente a margem de lucro das exportadoras, dificultando aumentos nos preços pagos ao produtor.
Cenário em São Paulo também reflete no país
Em São Paulo, as negociações recuaram abaixo dos R$ 300,00 por arroba, o que não acontecia desde o início da temporada. As escalas de abate estão mais confortáveis, e os frigoríficos têm conseguido comprar com maior facilidade, o que reforça a pressão nos preços em outras regiões, como o Tocantins.
Expectativas positivas para o segundo semestre
Apesar do cenário atual de queda, Felipe Fabri traz um tom de otimismo:
“Na nossa interpretação, o momento não é de preocupação. A pressão de baixa tem sido até comedida, considerando o volume de oferta que o Brasil tem registrado em 2025”, afirmou.
A expectativa é de que, a partir de setembro, o mercado comece a reagir, sustentado por:
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Aumento das exportações no segundo semestre;
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Maior consumo interno com geração de empregos temporários e chegada do 13º salário;
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Estabilidade tributária e possível recuperação no poder de compra.
Segundo a Scot Consultoria, o primeiro semestre de 2025 já foi o melhor da história em termos de exportação de carne bovina, o que abre espaço para um desempenho ainda melhor na reta final do ano.
✅ Conclusão
O mercado do boi no Tocantins segue em um momento de retração, com preços pressionados pela conjuntura externa e interna. No entanto, a queda não deve se estender por muito tempo, e a perspectiva para os próximos meses é de retomada e estabilidade. A Scot Consultoria recomenda atenção ao comportamento da demanda interna e ao fluxo das exportações, que devem ditar o ritmo do mercado a partir de setembro.
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