Pacheco desafia STF, Helder avança rumo a 2026 e Caiado se contradiz no tarifaço
Pacheco sobe o tom contra o STF e tensiona institucionalidade

A fala do Senador, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), subiu o tom e acendeu os bastidores em Brasília. Em resposta às críticas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), sobretudo de Alexandre de Moraes, sobre a tramitação de uma possível anistia a civis e militares envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, Pacheco foi enfático: “O Congresso Nacional tem independência constitucional e não se submete a pressões”.
A declaração veio após uma sequência de encontros reservados com o presidente Lula e integrantes do Supremo. Nos bastidores, a movimentação foi vista como uma tentativa de blindar o Senado da judicialização excessiva de pautas políticas, ao mesmo tempo em que Pacheco tenta se reposicionar como um ator relevante na corrida pela presidência da República em 2026 — ou, ao menos, como um fiador da estabilidade institucional.
A crítica à “pressão institucional” do STF não é isolada. Ela reverbera também entre parlamentares do centrão, que veem em Moraes um ministro que ultrapassa os limites entre o Judiciário e a política. Apesar disso, o movimento de Pacheco também é lido como uma estratégia de sobrevivência política, uma forma de acenar para a base bolsonarista sem romper com o núcleo governista que ainda sustenta sua liderança no Senado.
Helder Barbalho começa a montar a máquina de 2026 — e não esconde mais

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), está em campo. Ele intensificou agendas fora do Norte nas últimas semanas, especialmente em São Paulo e Brasília, com foco em três direções: atrair setores empresariais insatisfeitos com a polarização, consolidar seu nome como liderança da região Amazônica com projeção nacional, e se apresentar como uma alternativa de centro pragmática ao lulismo e ao bolsonarismo.
Helder mantém portas abertas com o governo Lula, mas age com autonomia. Recentemente, aumentou sua presença em eventos ligados à sustentabilidade e inovação, construiu aproximação com Simone Tebet e circulou por gabinetes do PSD. Internamente, o MDB nacional já reconhece que ele tem mais tração popular que qualquer outro nome da legenda, inclusive Renan Filho ou Jader Filho.
A leitura nos bastidores é de que Helder se prepara para ser o “nome moderado do campo governista”, caso Lula não viabilize a candidatura de um petista puro-sangue. Ao mesmo tempo, o governador do Pará faz acenos silenciosos ao agronegócio e já atraiu consultores de marketing ligados à campanha de 2022 de Lula — um indicativo de que o projeto está em maturação.
PT do Tocantins muda de mãos: Nile Willian vence e derrota hegemonia de José Roberto

A disputa pelo comando do PT Tocantinense teve virada surpreendente no segundo turno. Nile Willian venceu Diego Montelo, quebrando a hegemonia do grupo de José Roberto, que controlava a sigla no estado há mais de dez anos.
A eleição interna marca o início de um novo ciclo partidário, mais voltado para a articulação com a base aliada de Lula, com prefeitos do interior e com movimentos populares urbanos. Nile representa um setor mais pragmático, que defende aliança com o MDB e o PSD nas eleições de 2026 e busca recuperar a capilaridade do PT em municípios onde o partido perdeu força.
Para Brasília, a mudança no comando é vista como positiva. Interlocutores do Planalto afirmam que a nova direção terá condições de garantir palanques alinhados ao governo federal, facilitando inclusive a liberação de emendas e convênios. No interior, setores jovens e de movimentos sociais comemoraram a vitória de Nile, que promete descentralizar decisões e reaproximar o partido de sua base original.
Palmas: nomeação de Vieira de Melo reorganiza comunicação e discurso

A nomeação do jornalista Sebastião Vieira de Melo para a estrutura da Secretaria Municipal da Comunicação de Palmas, após passagem pelo Gabinete do Prefeito, causou impacto na engrenagem política da capital. Vieira, que tem trajetória consolidada na imprensa e nos governos de Siqueira Campos e Marcelo Miranda, retorna ao front institucional para liderar o que aliados chamam de “reconstrução da ponte com os bairros”.
Com a popularidade do prefeito Eduardo Siqueira Campos em queda após a anulação das eleições escolares, a gestão aposta na capacidade de Vieira em reorganizar a narrativa institucional, resgatar o diálogo com lideranças comunitárias e amortecer desgastes acumulados. A escolha dele também simboliza um retorno à comunicação estratégica, depois de meses de desgaste na relação entre a Prefeitura e os movimentos sociais.
Fontes do Paço revelam que Vieira não será apenas assessor, mas figura-chave na reorganização do discurso político para 2026, o que pode incluir a construção de uma candidatura própria à Assembleia ou até mesmo uma tentativa de reeleição com nova base.
Caiado critica “tarifaço” de Lula, mas repete a estratégia em Goiás

Em declarações recentes, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), acusou o presidente Lula de transformar a crise do “tarifaço” norte-americano — que afetou produtos agrícolas e industriais brasileiros — em palanque político. Segundo Caiado, o governo federal está “usando o problema em vez de resolvê-lo”.
A crítica, no entanto, gerou reações irônicas entre prefeitos e deputados da base goiana, que apontam a incoerência do discurso: o próprio Caiado tem usado a crise como plataforma eleitoral, promovendo eventos com produtores, fazendo lives e discursos inflamados com foco nacional, e construindo sua imagem de “defensor do agro” — justamente o mesmo capital que Lula tenta reconquistar com sua diplomacia.
A contradição se acentua porque Caiado também tem anunciado linhas de crédito e renegociação de tarifas estaduais com viés eleitoral, o que tem sido interpretado por adversários como “campanha com roupa de governador”. Na internet, circulou uma montagem com a frase: “Caiado vê em Lula o espelho do que está fazendo em Goiás.”
Eduardo Bolsonaro mira tarifaço e anistia — com cálculo eleitoral

Enquanto o pai segue inelegível, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) intensificou sua atuação nas redes sociais com foco em dois temas: o tarifaço imposto pelos EUA e a defesa da anistia aos envolvidos nos atos golpistas.
Nas entrelinhas, o parlamentar busca transformar as duas bandeiras em uma plataforma para reerguer a base bolsonarista, principalmente entre o agronegócio e militares da reserva. O problema, segundo analistas, é que o clã Bolsonaro ajudou a criar a tensão diplomática com os EUA, e agora tenta capitalizar politicamente os danos provocados.
A defesa da anistia também tem custo: reativa o embate com o STF e fortalece a imagem de Eduardo como símbolo da impunidade institucionalizada, o que pode dificultar alianças com partidos de centro. Nos bastidores, aliados do PL dizem que Eduardo se isola, enquanto a legenda tenta negociar com a centro-direita mais moderada para 2026.
Araguaína: Wagner Rodrigues constrói posição silenciosa, mas decisiva

Na maior cidade do Norte do Tocantins, o prefeito Wagner Rodrigues se mantém longe dos holofotes nacionais, mas avança em alianças regionais sólidas. Com bom trânsito junto ao governador Wanderlei Barbosa e parte da bancada federal, Wagner aposta em três eixos: infraestrutura urbana, segurança e articulação com lideranças evangélicas.
Seu nome já começa a circular como possível vice em uma futura chapa governista ou até mesmo como sucessor regional com apoio do PSD, dependendo do arranjo estadual de 2026. Wagner tem evitado confrontos, mas trabalha com inteligência para centralizar repasses e apoios em sua base eleitoral.
Bico do Papagaio se redesenha: Halum, Laurez, Amélio e Gaguim articulam chapas e fundos

No Bico do Papagaio, os bastidores estão em plena efervescência. César Halum, ex-deputado e ex-secretário, voltou a se reunir com lideranças municipais de Tocantinópolis e Augustinópolis para retomar influência regional. Ao mesmo tempo, Laurez Moreira e Carlos Gaguim buscam garantir espaço em federações como Republicanos e PSD, mirando coligações fortes em 2026.
Já Amélio Cayres, com base em Luzinópolis e Tupiratins, intensificou viagens e reuniões com lideranças jovens e prefeitos aliados, buscando recompor musculatura eleitoral após um período de retração. A meta de todos é garantir palanques sólidos nos municípios menores e acesso ao fundo eleitoral e partidário, que serão decisivos para a viabilidade de futuras campanhas.