Tio de Michelle Bolsonaro é preso por pornografia infantil e escancara histórico criminal da família

Tio de Michelle Bolsonaro é preso por pornografia infantil e escancara histórico criminal da família
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 2 de agosto de 2025 18

Gilberto Firmo Ferreira confessou ter compartilhado vídeos em grupo do Facebook; prisão em flagrante reacende polêmicas envolvendo tráfico, milícia e falsificação entre os parentes da ex-primeira-dama

O tio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Gilberto Firmo Ferreira, foi preso em flagrante por posse e compartilhamento de conteúdo de pornografia infantil na última sexta-feira (1º/8), no bairro Sol Nascente, região carente do Distrito Federal. Durante o depoimento prestado à Polícia Civil com auxílio de intérprete de Libras — já que é surdo — Gilberto admitiu que compartilhava vídeos criminosos em um grupo no Facebook com outras cinco pessoas.

Segundo sua própria versão, o celular apreendido havia sido um presente de um amigo, pois o aparelho anterior estava “muito velho”. Ele afirmou que sabia da existência de material pedófilo salvo no dispositivo e alegou que tentava impedir o recebimento dos arquivos, mas que os remetentes insistiam em enviá-los. A prisão ocorreu após a Polícia Federal identificar seu e-mail como fonte de distribuição de pornografia infantil, fato que levou ao cumprimento de mandado de busca e apreensão emitido pelo Tribunal de Justiça de Goiás. Com o flagrante das mídias no aparelho, a detenção foi imediata.

A ligação com Michelle Bolsonaro tem gerado repercussão, não apenas por sua posição pública enquanto ex-primeira-dama, mas também pelo histórico de envolvimento da família Firmo Ferreira com a criminalidade. Michelle, que já declarou ter aprendido a Língua Brasileira de Sinais para se comunicar com o tio, agora enfrenta o constrangimento público de vê-lo envolvido em um dos crimes mais graves do Código Penal.

Não é a primeira vez que membros da família materna de Michelle têm passagens pela polícia. Em 1997, sua avó Maria Aparecida Firmo Ferreira foi presa em flagrante com 169 porções de merla — uma droga semelhante ao crack — no centro de Brasília. Conhecida como “Tia”, ela foi condenada e passou mais de dois anos presa. Sua mãe, Maria das Graças Firmo Ferreira, foi indiciada em 1988 por falsidade ideológica, após portar dois registros civis, sendo um deles com dados falsificados. O processo foi arquivado em 1994 por prescrição.

Outro episódio emblemático envolve João Batista Firmo Ferreira, também tio de Michelle, preso em 2019 acusado de integrar uma milícia que atuava no Sol Nascente. O grupo, formado por policiais militares, extorquia moradores, vendia terrenos ilegalmente e fazia ameaças. João Batista continua preso na Papuda.

Na época em que vieram à tona os crimes anteriores da família, o então presidente Jair Bolsonaro afirmou que Michelle estava “abatida” e “arrasada” com as revelações, classificando as matérias como ataques à sua esposa. Contudo, os fatos revelados constam de processos públicos e condenações judiciais, distantes de qualquer especulação.

Com a nova prisão, as conexões familiares da ex-primeira-dama voltam a ser discutidas, revelando um cenário que contrasta com a imagem que Michelle Bolsonaro cultivava em agendas oficiais, voltadas à família, religião e causas sociais. Até o momento, ela não se pronunciou sobre o caso do tio. A audiência de custódia de Gilberto está marcada para este sábado (2/8), quando será decidido se ele responderá em liberdade ou permanecerá preso.

O episódio impõe mais uma crise de imagem ao entorno da ex-primeira-dama e poderá ter impactos políticos caso ela volte a se posicionar publicamente, seja para defender o tio ou para se distanciar, mais uma vez, das ações criminais de sua própria família.

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