Custo de vida dispara em Palmas, Araguaína e Colinas e exige salário de mais de R$ 6.200, aponta DIEESE

Custo de vida dispara em Palmas, Araguaína e Colinas e exige salário de mais de R$ 6.200, aponta DIEESE
Consumidores verificam preços de itens da cesta básica em supermercado de Araguaína; variações chegam a 213%.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 3 de agosto de 2025 25

Alimentação, aluguel e transporte consomem mais da metade da renda familiar nas principais cidades do Tocantins; DIEESE calcula salário ideal muito acima do mínimo atual

Em meio à pressão inflacionária sobre alimentos, energia e moradia, o custo de vida em Palmas, Araguaína e Colinas do Tocantins tem se tornado insustentável para grande parte da população. Levantamento com base em dados do DIEESE aponta que o salário necessário para uma família viver com dignidade nessas cidades ultrapassa os R$ 6.200 mensais — mais de quatro vezes o salário mínimo nacional atual (R$ 1.518 em 2025).

Segundo boletins do DIEESE, a alta nos preços de alimentos, aluguéis e utensílios domésticos tem afetado diretamente o orçamento familiar. Em Palmas, por exemplo, a cesta básica consumiu 42% do salário mínimo em junho — mesmo sendo a quinta mais barata do país em termos nominais.

Despesas essenciais dominam o orçamento

Em entrevista ao Diário Tocantinense, a economista consultada afirma que a inflação nos itens essenciais cresce acima do reajuste salarial há meses.

“Não é uma percepção isolada. As famílias sentem na prática: o dinheiro não acompanha o aumento do mercado, do transporte e da energia. A defasagem é estrutural.”

Aluguéis em Araguaína e Colinas também registraram aumento acima da média regional. Em alguns bairros populares de Palmas, o aluguel de uma casa simples passou de R$ 700 para R$ 950 em menos de um ano.

“Não sobra nada”: relatos de quem vive o impacto

Maria de Lourdes, trabalhadora do setor de serviços em Araguaína, relata:

“A cesta subiu, a carne sumiu da mesa. O gás aumentou, e o transporte todo mês muda. Meu salário é engolido antes do dia 10.”

José Carlos, vendedor ambulante em Palmas, diz que paga quase um terço da renda só com moradia:

“Moro com a esposa e uma filha. Só de aluguel são R$ 880. A conta de energia veio 270. Se não tiver bico no fim de semana, a gente fica devendo.”

Comparativo regional mostra Tocantins acima da média

Apesar de Palmas figurar entre as capitais com cesta básica mais barata em valor absoluto, proporcionalmente ao salário mínimo ela está entre as mais caras. Segundo o levantamento nacional do DIEESE, apenas Porto Alegre, Florianópolis e São Paulo exigem renda proporcional semelhante para cobrir os custos básicos.

Além disso, o valor calculado como salário mínimo necessário em junho de 2025 foi de R$ 6.294,71, o que revela uma distância crescente entre o custo de vida e a política de valorização do piso salarial.

Salário mínimo cobre menos da metade do necessário

O DIEESE estima mensalmente o valor necessário para suprir os custos de uma família de dois adultos e duas crianças com alimentação, habitação, transporte, saúde, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência. Em junho de 2025, esse valor foi de R$ 6.294,71, enquanto o salário mínimo oficial segue em R$ 1.518 — uma cobertura de apenas 24%da necessidade real.

Alta nos preços e falta de política regional

A economista ouvida também alerta para a ausência de políticas regionais de subsídio ou compensação para os efeitos inflacionários sobre as populações mais vulneráveis. Sem reajuste real dos salários ou contenção nos preços dos itens essenciais, as famílias das cidades médias do Tocantins enfrentam um quadro de empobrecimento silencioso.

“É um cenário de corrosão do poder de compra. Mesmo que a inflação esteja tecnicamente controlada em âmbito nacional, nos mercados locais ela pesa. A carne, o arroz, o gás e o transporte puxam para baixo a renda de quem mais precisa.”

O que mais encareceu

Segundo o último boletim do DIEESE, os itens que mais pesaram na cesta básica de junho foram:

  • Feijão carioquinha: +7,3%

  • Leite integral: +6,5%

  • Pão francês: +5,1%

  • Óleo de soja: +4,8%

  • Carne bovina de primeira: +3,7%

Com inflação concentrada nos produtos essenciais e estagnação dos salários, viver em Palmas, Araguaína ou Colinas tem custado mais do que o bolso da população consegue suportar. Mesmo com indicadores nacionais apontando estabilidade, os dados locais revelam uma crise silenciosa nas contas familiares — que segue sem resposta prática das políticas públicas.

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