Inflação dos EUA acelera em junho e acende alerta global: impacto pode chegar ao Brasil via juros, dólar e importações
A inflação nos Estados Unidos voltou a ganhar força. O índice PCE (Personal Consumption Expenditures), principal métrica de preços observada pelo Federal Reserve, registrou alta de 0,4% em junho de 2025, com o núcleo inflacionário acumulando 2,9% em 12 meses, acima da meta de 2%.
O dado interrompe uma tendência de estabilidade e levanta preocupações sobre a possibilidade de o Fed manter os juros elevados por mais tempo, ou até mesmo elevar as taxas novamente, contrariando a expectativa de cortes ainda neste segundo semestre.
Os mercados reagiram com cautela. O dólar se valorizou frente a moedas emergentes, incluindo o real. Houve recuo nas bolsas e alta nos rendimentos dos títulos americanos, indicando movimento de fuga para ativos considerados mais seguros.
Para o Brasil, os impactos potenciais vão além do câmbio. Um dólar mais caro tende a encarecer as importações, pressionar a inflação interna e dificultar a continuidade do ciclo de cortes na taxa Selic, hoje em 10,25% ao ano.
Segundo o economista Fábio Faria, o efeito pode ser perceptível já no terceiro trimestre. “Quando os EUA mantêm juros elevados, o fluxo de capital tende a sair dos emergentes. Isso pressiona o dólar, aumenta o custo das importações e pode exigir que o Banco Central adote uma postura mais conservadora na política de juros”, afirmou.
A inflação americana também influencia diretamente os preços de commodities como petróleo e alimentos. Com a cadeia de produção global exposta, o Brasil pode enfrentar repasses inflacionários em setores estratégicos como transporte, energia e alimentação.
Para o analista financeiro Guilherme Paiva, o cenário inspira cautela. “O combate à inflação nos Estados Unidos exige juros altos. Isso drena liquidez do mercado global, fragiliza as economias periféricas e dificulta a estabilidade monetária nos países em desenvolvimento.”
A próxima reunião do Federal Reserve está prevista para agosto. Até lá, o mercado seguirá monitorando de perto os indicadores de consumo, emprego e atividade nos EUA para antecipar possíveis movimentos da autoridade monetária.