Equatorial Pará e Goiás: contraste entre apagão e investimentos em infraestrutura entregue ao consumidor

Equatorial Pará e Goiás: contraste entre apagão e investimentos em infraestrutura entregue ao consumidor
consumidores em todo o Brasil; Tocantins e Goiás vivem realidades distintas no setor elétrico.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 4 de agosto de 2025 4

Brasília — Um apagão de mais de 12 horas em Conceição do Araguaia (PA) no dia 26 de julho expôs a fragilidade de resposta emergencial da Equatorial Pará. Enquanto isso, a Equatorial Goiás anunciava ter investido R$ 4,2 bilhõesdesde que assumiu a concessão em 2021, modernizando o sistema elétrico e colhendo os melhores índices de continuidade de sua história. Duas notas oficiais. Duas realidades distintas. A comparação revela um dilema estrutural: agilidade no restabelecimento ou transformação duradoura?

PARÁ: apagão longo e causas indefinidas

No Pará, o fornecimento de energia foi interrompido na noite de sexta-feira (25), sendo restabelecido apenas às 16h35 do sábado (26). Segundo nota da Equatorial Pará, a falha ocorreu devido ao desligamento de uma linha de transmissão que atende Conceição do Araguaia. A causa exata, no entanto, ainda está em apuração.

“A Distribuidora mobilizou imediatamente equipes técnicas, além de materiais e recursos operacionais, atuando de forma ininterrupta para restabelecer o serviço no menor tempo possível”, informou a empresa.

Apesar da rápida mobilização, a ausência de um laudo técnico transparente compromete a confiança do consumidor, especialmente em cidades do interior onde a população depende quase exclusivamente da rede elétrica local. E é exatamente nesse ponto que a crise de imagem se torna mais grave do que a crise técnica.

Segundo os dados da ANEEL, a Equatorial Pará encerrou 2024 com:

  • DEC (Duração média das interrupções): 19,4 horas/ano por consumidor

  • FEC (Frequência média das interrupções): 8,0 vezes/ano por consumidor

Ambos os índices estão dentro dos limites regulatórios, mas ainda refletem uma realidade de interrupções frequentes e duradouras para a população.

GOIÁS: investimentos recordes e plataforma de transparência

No sentido oposto, a Equatorial Goiás investiu, entre março de 2021 e junho de 2025, R$ 4,2 bilhões na reconstrução do sistema elétrico do estado. O anúncio foi feito oficialmente em comunicado da empresa, que destacou:

  • 203 subestações modernizadas

  • 6 novas subestações construídas, incluindo Aparecida de Goiânia, Jataí e Pirenópolis

  • 13 linhas de alta tensão renovadas

  • 165% de obras acima da meta no segundo trimestre de 2025

O impacto direto aparece nos indicadores regulatórios:

  • DEC (visão cliente): redução de 10,2 horas

  • FEC (visão cliente): redução de 5,5 interrupções

  • DEC (visão regulatória): redução de 5,7 horas

  • FEC (visão regulatória): redução de 3,6 interrupções

A concessionária ainda lançou o Trabalhômetro, plataforma que permite acompanhar em tempo real o andamento das obras em todo o estado, o que é considerado uma inovação em transparência e controle público no setor elétrico.

Comparativo nacional: indicadores da Aneel

De acordo com o Ranking de Continuidade da Aneel 2024:

Distribuidora DEC (h) FEC (vezes) DGC (Desempenho Global de Continuidade)
Equatorial Goiás 9,6 6,1 1,19
Equatorial Pará 19,4 8,0 0,67

A Equatorial Goiás mostra trajetória de recuperação, enquanto o Pará ainda lida com desafios operacionais relevantes, especialmente em áreas mais isoladas.

O que o consumidor vê e sente

O cidadão comum, porém, não avalia o serviço por números regulatórios. Para ele, o que importa é:

  • A luz não cair em dia de calor extremo

  • O transformador do bairro não explodir na primeira chuva

  • O atendimento não ser robótico

  • A explicação sobre a falha chegar antes da conta do mês

A ausência de escuta ativa e comunicação eficaz em casos de crise, como no Pará, reforça a sensação de negligência. Já em Goiás, mesmo com os investimentos, a população quer mais do que anúncios — quer sentir a diferença na tomada.

 

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