“Não é tempo de distração”: Pastora Mônica Rocha convoca cristãos a se posicionarem como Ester diante do rei
Um vídeo da pastora Mônica Rocha tem movimentado o meio evangélico nas redes sociais com uma pregação intensa e simbólica sobre o chamado da igreja. Usando a narrativa de Ester 4:14, Rocha declara que os cristãos foram convocados não apenas para viver suas próprias vidas, mas para transformar uma geração e interceder por seu povo diante de tempos de ameaça espiritual.
“Você não foi chamada para estar onde está, para se amostrar, para se aparecer, para simplesmente só cuidar da sua vida, não. Você foi chamada para transformar, para libertar toda uma geração”, afirma a pastora no vídeo que circula amplamente no Instagram e TikTok.
O chamado de Ester: intercessão diante do decreto
A fala remonta à conhecida história da rainha Ester, que, diante da ameaça de extermínio de seu povo, arrisca sua vida ao se apresentar ao rei Assuero sem ser chamada. Mônica Rocha usa o exemplo como metáfora para o tempo presente:
“Ela se preparou, ela se adornou com perfumes, com iguarias, com óleo. Durante um ano ela foi preparada por Deus para ser constituída. E exatamente quando o seu povo recebe um decreto de morte, ela se posiciona.”
A referência é direta ao livro bíblico que narra o jejum coletivo de três dias liderado por Ester, conforme Ester 4:15-16, seguido da coragem de interceder perante o rei, mudando o destino de sua nação.
Tempo de preparo e consagração
O ponto central da mensagem é a urgência espiritual que, segundo a pastora, a igreja precisa assumir neste tempo:
“Não é tempo de distração. É tempo de preparo da igreja. É tempo de estar posicionada, de se consagrar, de subir monte, de orar, de ler Bíblia, de comer Bíblia, de jejuar, de se ajoelhar, de prostrar-se, de colocar sua família, sua casa, suas causas diante de Deus.”
Esse trecho ecoa ensinamentos frequentemente citados em igrejas pentecostais e carismáticas, como os descritos em manuais devocionais e práticas descritas por autores como David Wilkerson e líderes da Visão Celular.
“Um decreto novo anula um decreto velho”
A pastora conclui sua mensagem com um dos trechos mais compartilhados do vídeo:
“Esté diante do rei, ela faz uma solicitação e ele muda um decreto. E um decreto novo anula um decreto velho.”
A declaração é recebida com entusiasmo em comunidades cristãs que interpretam os “decretos” como sentenças espirituais ou sociais que podem ser anuladas por meio da fé, da intercessão e do posicionamento profético.
Esse tipo de linguagem é comum em movimentos ligados à teologia da intercessão profética, muito difundida no Brasil por igrejas como Igreja Batista da Lagoinha e ministérios como Dunamis.
Repercussão nas redes
A fala de Mônica Rocha já gerou milhões de visualizações em plataformas como Instagram e TikTok. A hashtag #TempoDeEster alcançou os trending topics cristãos, com interpretações variadas sobre o papel da mulher na igreja e a responsabilidade coletiva dos fiéis em tempos de instabilidade moral e política.
Influenciadoras evangélicas como a pastora Talitha Pereira e missionárias da Rede Inspire compartilharam o conteúdo, reforçando a mensagem de que a igreja deve estar sensível ao tempo profético.
A mensagem da pastora Mônica Rocha repercute não apenas pela eloquência, mas por ressignificar uma figura bíblica feminina como símbolo de coragem, preparação e ação espiritual. Em tempos de relativismo e crise ética, sua pregação encontra eco em cristãos que veem na figura de Ester o modelo de uma igreja que ouve, jejua, intercede e transforma realidades por meio da oração.
Seja como metáfora teológica ou como mobilização simbólica, a frase “quem sabe não foi para este tempo que você foi chamada” volta a ganhar força no imaginário religioso brasileiro.