Papa Leão XIV não confirma presença na COP30; Brasil mantém Belém e agro prepara vitrine sustentável no Matopiba
Santa Sé não confirmou viagem a Belém e cita compromissos paralelos em Niceia. Agronegócio organiza AgriZone como resposta às metas climáticas para 2030.
Brasília / Belém – A Arquidiocese de Belém desmentiu, em nota oficial, que o Papa Leão XIV tenha confirmado presença na COP30, marcada para acontecer entre 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém (PA). O comunicado esclarece que “até o momento o santo padre não confirmou sua participação” e que “não há definição sobre os representantes oficiais da Santa Sé que participarão do evento”.
O convite oficial foi entregue pessoalmente ao Papa pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, em nome do governo brasileiro, conforme registrado em matéria da CBN. No entanto, segundo fontes próximas à diplomacia vaticana, o pontífice já teria compromissos programados em Niceia, na Turquia, relacionados aos 1700 anos do Concílio de Niceia, evento de alto peso simbólico para a Igreja.
A presença do Papa em Belém, portanto, permanece incerta.
Belém segue como sede da COP30, diz governo
Apesar da ausência de confirmação do Papa, autoridades brasileiras garantem que a sede da COP30 segue em Belém. A possibilidade de mudança, aventada por algumas delegações devido aos altos custos de hospedagem, foi descartada oficialmente. Segundo o site oficial da COP30, o governo planeja ofertar até 53 mil leitos, utilizando a estrutura de hotéis, navios, escolas e alojamentos militares, com tarifas que variam entre US$ 100 e US$ 600 por noite.
Mesmo assim, uma reportagem da CNN apontou que delegações de ao menos 25 países expressaram preocupação com os preços praticados por hotéis e plataformas como o Airbnb, que chegaram a oferecer diárias superiores a R$ 45 mil.
AgriZone: agronegócio busca protagonismo climático
Enquanto diplomatas discutem logística e presença papal, o agronegócio brasileiro articula a criação da AgriZone, uma área de cerca de 3.000 hectares na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, como vitrine de práticas agrícolas sustentáveis. A proposta é apresentar tecnologias como integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de pastagens, uso eficiente da água e fixação biológica de nitrogênio.
Segundo reportagem da CNN Brasil, o setor quer mostrar à comunidade internacional que o Brasil pode crescer em produção de alimentos sem expandir a área cultivada, respeitando metas ambientais e climáticas.
Matopiba: pressão ambiental e diplomática
A região do Matopiba – formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – será tema central da AgriZone. Dados do MapBiomas indicam que o Matopiba concentrou, sozinho, 75% do desmatamento do Cerrado em 2024 e 42% do desmatamento total no país. Os dados foram citados em reportagem investigativa do O Joio e o Trigo, que também destaca conflitos fundiários e avanço sobre terras de comunidades tradicionais.
A estratégia do setor é mostrar que preservação ambiental e produção agrícola são compatíveis, ao mesmo tempo em que se tenta frear pressões internacionais contra as exportações do Brasil.
A possível ausência de Leão XIV na COP30 não implica mudança de sede, segundo fontes do governo e da organização do evento. Belém está mantida como cidade-sede, e o país aposta na AgriZone como alternativa para demonstrar capacidade técnica, equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade, e responder às cobranças internacionais sobre metas até 2030.