Rússia e China se fortalecem, EUA reagem com força militar e tensão atinge clima cultural
A mais recente reconfiguração do xadrez geopolítico global apresenta uma Rússia e uma China cada vez mais alinhadas, em reação aos Estados Unidos, que intensificam sua presença militar. Esse clima tenso atinge também o campo cultural, com eventos como o festival The Town adquirindo contornos políticos inesperados.
Aliança reforçada entre Putin e Xi
Durante uma visita à Rússia em maio, o presidente Xi Jinping participou do desfile do Dia da Vitória, ao lado de Vladimir Putin, e ambos reafirmaram um compromisso de cooperação sem limites. Eles divulgaram um comunicado conjunto com mais de vinte acordos bilaterais nas áreas de estabilidade global, economia digital e segurança — um marco no estreitamento da relação entre Beijing e Moscou.
Xi ainda criticou a hegemonia dos EUA, comparando-a às forças fascistas da Segunda Guerra, e defendeu uma ordem global multipolar. Já o The Guardian destacou que o termo “sem limites” resume o tom da aliança estratégica, marcada por críticas ao Ocidente e à expansão da OTAN.
Cooperação militar intensificada
A aliança já se traduz em ações concretas. Desde o início de agosto, marinhas russa e chinesa realizam os exercícios Maritime Interaction 2025 no Mar do Japão, com foco em guerra antissubmarino, defesa aérea e operações de resgate — confirmando a rotina de manobras coordenadas .
Este movimento faz parte de uma tendência crescente: metade do total de exercícios conjuntos entre os dois aconteceu nos últimos seis anos, segundo o think tank CSIS.
Resposta militar americana
A resposta americana também é contundente. O deslocamento do porta-aviões USS Gerald R. Ford para a Europa — com possível realocação ao Oriente Médio — sinaliza uma retaliação direta à crescente influência sino-russa. Embora não tenhamos dados específicos sobre o Pacífico, a movimentação naval já reflete um esforço de contenção faro ocidental.