Colômbia em choque: senador Uribe é morto após tentativa de assassinato e reabre feridas da violência política
A Colômbia acordou em choque nesta segunda-feira (11) com a confirmação da morte de Miguel Uribe Turbay, senador e pré-candidato à presidência pelo partido Centro Democrático, dois meses após sobreviver por pouco a um atentado a tiros durante um comício em Bogotá. O ataque, ocorrido em 7 de junho no parque El Golfito, no bairro Modelia, foi cometido por um adolescente de 15 anos, supostamente a mando do criminoso Elder José Arteaga Hernández, conhecido como “El Costeño”.
A morte foi confirmada pelo hospital Fundación Santa Fe, onde Uribe permanecia internado em estado grave. Segundo a investigação oficial, seis pessoas já foram presas, incluindo o suposto mandante, mas o autor intelectual do crime ainda não foi identificado.
Repercussão política e internacional
O presidente Gustavo Petro classificou o assassinato como “uma derrota para a Colômbia” e defendeu “garantias reais de segurança para todos os candidatos, independentemente de suas posições ideológicas”. A vice-presidente Francia Márquez também lamentou a perda e pediu união nacional contra a violência política.
No cenário internacional, líderes como o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, expressaram condolências e cobraram que Bogotá assegure eleições livres e seguras em 2026. O Departamento de Estado norte-americano ofereceu apoio técnico à investigação.
Impacto nas eleições e no clima político
A morte de Uribe Turbay abre uma lacuna significativa no tabuleiro eleitoral colombiano. Com um discurso de centro-direita moderado e foco em segurança pública, ele atraía votos tanto do eleitorado conservador quanto de setores independentes. Pesquisas recentes o colocavam em terceiro lugar na corrida presidencial de 2026, atrás apenas da ex-senadora Claudia López e do ex-ministro Alejandro Gaviria.
Analistas apontam que o episódio pode reforçar a pauta da segurança como tema central da campanha, pressionando candidatos a apresentar propostas concretas de combate ao crime organizado e proteção aos líderes políticos. Além disso, a violência reativa memórias históricas de outros assassinatos que mudaram o rumo da política colombiana.
Memória da violência política na Colômbia
O assassinato de Miguel Uribe ecoa episódios da década de 1980 e início dos anos 1990, quando a Colômbia viu uma sucessão de líderes políticos mortos a tiros por cartéis, guerrilhas e grupos paramilitares. Entre as vítimas mais emblemáticas estão:
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Luis Carlos Galán (1989), favorito à presidência, assassinado pelo cartel de Medellín em Soacha.
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Bernardo Jaramillo Ossa (1990), candidato da Unión Patriótica, morto no aeroporto de Bogotá por um atirador paramilitar.
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Carlos Pizarro Leongómez (1990), ex-comandante do M-19 e candidato presidencial, assassinado a bordo de um avião comercial.
Estes casos consolidaram a imagem da Colômbia como um dos países mais perigosos para a atuação política, algo que, apesar dos acordos de paz com as FARC, ainda não foi superado.
O desafio democrático
Para a cientista política María Fernanda Rojas, da Universidad Nacional, “o assassinato de um candidato presidencial em pleno século XXI, mesmo após avanços institucionais, mostra que as estruturas de violência ligadas ao narcotráfico e à corrupção ainda são capazes de influenciar a democracia”.
Com a morte de Uribe, o Conselho Nacional Eleitoral terá de reorganizar o calendário das prévias e redistribuir tempo de propaganda. Já o Senado colombiano deverá decidir sobre a sucessão de sua cadeira parlamentar.
Enquanto isso, cresce a pressão para que o governo Petro adote protocolos de segurança eleitoral mais rigorosos, incluindo reforço de escoltas, inteligência preventiva e monitoramento de ameaças online e presenciais contra candidatos.