Operação Ícaro: esmeraldas, cofres com dinheiro e um esquema de ICMS de R$ 1 bilhão — o que está em jogo para Ultrafarma e para o varejo
A Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em 12 de agosto de 2025, prendeu o empresário Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, e o executivo Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop. Os alvos incluem ainda o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado como articulador de um esquema de corrupção e fraude em créditos de ICMS. A investigação cumpriu 19 mandados de busca e apreensão e determinou o sequestro de bens. Segundo o MP, o esquema teria movimentado propinas que chegam a R$ 1 bilhão desde 2021, conforme revelado pela CNN Brasil e pelo InfoMoney.
Em endereços ligados aos investigados, a polícia apreendeu dinheiro vivo em reais, dólares e euros, esmeraldas e relógios de luxo. Segundo o Poder360, havia dois pacotes de pedras preciosas, veículos de alto padrão e documentos. Também foram encontrados cofres, máquina de contar dinheiro e valores em criptomoedas, como detalhou o Metrópoles.
A Justiça manteve a prisão temporária dos principais alvos após audiência de custódia. A defesa de Sidney Oliveira afirmou ao UOL que ele havia celebrado recentemente um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) relacionado a uma investigação anterior de natureza tributária, e que ainda não teve acesso integral aos autos desta nova operação.
Como funcionaria o esquema da Ultrafarma
De acordo com o MP, o auditor Artur Gomes da Silva Neto prestava uma “assessoria tributária criminosa” usando contatos internos para manipular processos e antecipar liberações de créditos de ICMS. O mecanismo de ressarcimento desses créditos é legal e comum no setor, mas a acusação afirma que havia pagamento de propina para acelerar análises e liberar valores vultosos.
A operação também aponta para a atuação da empresa Smart Tax, registrada no nome da mãe do auditor — uma professora de 73 anos. Segundo reportagem do Estadão/InfoMoney, o patrimônio dela teria saltado de R$ 46 milhões, em 2022, para R$ 2 bilhões, em 2024. Para os promotores, trata-se de uma estrutura de fachada para mascarar a movimentação financeira da quadrilha.
E-mails anexados ao processo, obtidos pela CNN Brasil, indicariam a continuidade do esquema em maio e junho de 2025, com interações diretas entre o auditor, a Ultrafarma e a Fast Shop.
Quem são os principais alvos
O MP-SP descreve Artur Gomes como “cérebro” da operação. Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma e figura conhecida do varejo farmacêutico, é acusado de contratar os serviços ilícitos. Mário Otávio Gomes, diretor da Fast Shop, teria atuado como interlocutor e facilitador.
Itens apreendidos
Foram apreendidos mais de R$ 1,5 milhão em espécie, dólares, euros, dois pacotes de esmeraldas, joias, veículos de luxo, relógios e criptoativos. Conforme destacou o Terra, a variedade dos bens reforça a suspeita de ocultação de patrimônio. O Metrópoles mostrou imagens das pedras e do dinheiro apreendido.
O crédito de ICMS como foco
O crédito de ICMS surge quando a empresa paga mais imposto em suas compras do que deve nas vendas, acumulando saldo credor. No caso de grandes redes, como Ultrafarma e Fast Shop, esses créditos podem alcançar cifras milionárias. Segundo a Agência Brasil, o esquema teria explorado justamente o trâmite para ressarcimento, que normalmente é complexo e demorado.
Cronologia
-
2021: início do esquema, segundo o MP, com movimentações que somariam até R$ 1 bilhão.
-
Julho de 2025: defesa de Sidney Oliveira fecha ANPP em outro caso tributário e paga R$ 32 milhões.
-
12 de agosto de 2025: Operação Ícaro prende Sidney Oliveira, Mário Otávio Gomes e Artur Gomes; 19 mandados de busca cumpridos.
-
13 de agosto de 2025: Justiça mantém prisões temporárias.
Impactos e próximos passos
O MP já anunciou que outras empresas do varejo também podem ser investigadas, mas não revelou nomes. A VEJAaponta que a apuração deve ter novas fases, com quebras de sigilo e oitivas. A Sefaz-SP estuda rever protocolos de liberação de créditos de ICMS para reduzir riscos de fraudes.