Alta global do preço da avelã acelera após disparada do cacau e coloca indústria de chocolate em alerta
Após um ano marcado pela disparada histórica nos preços do cacau, a cadeia de chocolates e confeitaria enfrenta um novo desafio: a valorização da avelã. Projeções do International Nut and Dried Fruit Council indicam que a produção mundial da safra 2025/2026 deve cair entre 4% e 6%, acirrando a disputa por matéria-prima e elevando custos de produção.
Turquia reduz colheita e acende alerta
A Turquia, responsável por cerca de 70% da produção global, revisou sua estimativa de colheita de 768 mil para 609 mil toneladas, uma queda de 22%. O recuo se deve a geadas tardias e à infestação do percevejo-marrom, praga que compromete a qualidade e reduz o rendimento. Enquanto isso, países como Chile e Itália preveem safras mais robustas — o Chile, por exemplo, projeta crescimento de mais de 60%.
Preços em alta histórica
Em junho, o preço da avelã em casca na Turquia atingiu 400 liras por quilo, segundo levantamento da CropGPT, valor cerca de 40% superior ao registrado no início do ano. Já a avelã descascada, utilizada diretamente pela indústria, chegou a 11,70 euros o quilo — patamar historicamente elevado.
Impactos diretos na indústria global
Fabricantes turcos já reduziram o teor de avelã em chocolates de 30% para 10% para conter custos. Multinacionais como a Ferrero, que produz Nutella e Ferrero Rocher, buscam ampliar contratos com fornecedores alternativos e diversificar origens de compra.
Reflexos no Brasil
No Brasil, onde a avelã é quase totalmente importada, a alta pressiona especialmente a produção de chocolates premium com gianduja, trufas e cremes. Pequenas e médias fabricantes, sem o poder de barganha das grandes, devem sentir o impacto primeiro, com possíveis reajustes já no último trimestre de 2025, afetando inclusive a Páscoa de 2026.
Perspectivas e riscos
O mercado global de avelãs deve crescer de US$ 14,9 bilhões em 2024 para US$ 16,5 bilhões em 2025, impulsionado pela demanda de produtos à base de plantas e pelo consumo na Ásia. No entanto, analistas alertam que, se as safras seguirem com a mesma volatilidade, os preços podem se manter altos até 2027, forçando a indústria a reformular receitas, reduzir embalagens ou substituir parcialmente a avelã por outros ingredientes.