Anvisa aprova novo medicamento para câncer cerebral
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (11), o uso do Voranigo® (vorasidenibe) para o tratamento de pacientes com glioma difuso de baixo grau com mutações nas enzimas IDH1 ou IDH2. Produzido pela farmacêutica francesa Servier, presente em cerca de 140 países, o medicamento representa a primeira inovação terapêutica em 20 anos para esse tipo de tumor cerebral.
Indicado para adultos e adolescentes a partir dos 12 anos, o fármaco é voltado a casos de astrocitoma ou oligodendroglioma de grau 2, quando já houve cirurgia, mas ainda não há indicação para radioterapia ou quimioterapia imediata. O vorasidenibe age bloqueando as enzimas mutadas que produzem substâncias responsáveis por estimular o crescimento das células tumorais.
A aprovação foi baseada nos resultados do ensaio clínico INDIGO, que apontou redução de 61% no risco de progressão da doença, atraso no crescimento tumoral e diminuição do volume do tumor, prolongando o tempo até a necessidade de novas intervenções e preservando a qualidade de vida dos pacientes.
Embora o glioma de baixo grau cresça mais lentamente, ele pode evoluir para formas mais agressivas. Até agora, as opções de tratamento incluíam apenas cirurgia, radioterapia e quimioterapia. O novo medicamento oferece um tratamento específico e personalizado para pacientes com mutações em IDH, em comprimidos de uso diário, permitindo manejo ativo da doença em conjunto com acompanhamento médico.
O que são gliomas
Os gliomas são tumores que surgem no cérebro ou na medula espinhal a partir de células gliais. Segundo a classificação da Organização Mundial da Saúde (2021), existem três categorias principais de gliomas difusos do tipo adulto, sendo estes os tumores malignos primários mais comuns no cérebro de adultos. O diagnóstico preciso inclui testes laboratoriais para identificar mutações no IDH, essenciais para definir a estratégia de tratamento.
Sintomas variam de acordo com a localização e agressividade do tumor, podendo incluir alterações cognitivas, convulsões, dificuldades de fala, fraqueza em membros, dores de cabeça, náuseas e vômitos. O tratamento inicial geralmente envolve cirurgia, complementada ou não por radioterapia, quimioterapia e terapias-alvo, dependendo do perfil genético do tumor.
Sobre a Servier
Fundada há 70 anos, a Servier é um grupo farmacêutico global sem fins lucrativos, com foco em áreas como cardiometabolismo, doenças venosas e, mais recentemente, oncologia e neurologia. A empresa investe em terapias de precisão, direcionadas a doenças com perfis moleculares bem definidos, visando maior eficácia e impacto social.