Futebol Solidário reúne ídolos e arrecada alimentos para famílias tocantinenses
A sétima edição do Futebol Solidário do Tocantins confirmou neste sábado (16) a força de um evento que já se tornou tradição no calendário social do estado. Realizado no Estádio Nilton Santos e promovido pelo senador Irajá (PSD-TO), o jogo beneficente reuniu nomes de peso do esporte, da política e do entretenimento em uma mobilização que vai além das quatro linhas: arrecadar toneladas de alimentos e roupas para famílias em situação de vulnerabilidade.
Entre os destaques em campo estavam campeões mundiais como Cafu, Ricardo Rocha, Vampeta e Léo Moura, além das ex-jogadoras Formiga e Pretinha, ícones do futebol feminino. Do lado artístico, participaram Nego do Borel e atletas paralímpicos como Rogerinho. O público também presenciou a presença de autoridades, entre elas o vice-governador Laurez Moreira, o ministro dos Transportes Renan Filho e o deputado federal Mersinho Lucena.
Mais que espetáculo
O evento nasceu em 2013 com o objetivo de destinar alimentos a instituições filantrópicas. Na primeira edição, foram arrecadadas 20 toneladas. Desde então, o número cresceu e já ultrapassou 400 toneladas distribuídas. Somente em 2023, foram mais de 100 toneladas doadas. Para este ano, a meta é superar 120 toneladas, destinadas a mais de 40 entidades do Tocantins, como as Apaes, a Fazenda da Esperança e o Menina de Deus, em parceria com o Mesa Brasil.
A relevância da iniciativa também foi lembrada por figuras como Vanderlei Luxemburgo, que mora em Palmas e destacou a capacidade do futebol de atrair multidões em prol de uma causa social. O tetracampeão Cafu reforçou a necessidade de oferecer oportunidades a jovens da periferia, lembrando sua própria experiência em projetos sociais.
Impacto social
Para além do clima festivo, o Futebol Solidário revela a ausência de políticas públicas estruturais de combate à fome no Tocantins. Em um estado que ainda registra bolsões de pobreza e insegurança alimentar, a dependência de ações pontuais de arrecadação expõe tanto a força da sociedade civil quanto a fragilidade do poder público em garantir dignidade às famílias mais vulneráveis.
Ao final da partida, autoridades ressaltaram que o “verdadeiro gol de placa” será marcado nos próximos dias, quando alimentos e roupas chegarem às comunidades. Ainda assim, a iniciativa deixa uma questão em aberto: até que ponto a solidariedade, mobilizada por atletas e artistas, pode substituir a atuação do Estado na redução das desigualdades?