Pastor Silas Malafaia é alvo de operação da PF no Galeão; celular apreendido, passaporte cancelado e saída do país proibida

Pastor Silas Malafaia é alvo de operação da PF no Galeão; celular apreendido, passaporte cancelado e saída do país proibida
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 21 de agosto de 2025 3

Em decisão assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o pastor Silas Malafaia foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (20/08/2025), no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. A medida incluiu busca e apreensão de bens, cancelamento do passaporte e proibição de deixar o Brasil, conforme publicado pela Agência Brasil.

Segundo a decisão, a PF abordou o pastor no desembarque de um voo vindo de Lisboa. Durante a ação, os agentes apreenderam seu celular e determinaram a entrega de outros documentos em até 24 horas. Malafaia também está impedido de manter contato com outros investigados do mesmo inquérito, que apura tentativas de coação a ministros da Corte, segundo informou a CNN Brasil.

No despacho, Alexandre de Moraes destacou indícios de que, entre os dias 9 e 18 de julho, Malafaia manteve conversas com Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro com o objetivo de “coagir membros da cúpula do Judiciário e alimentar narrativas falsas contra o Estado Democrático de Direito”. Para a PF, o pastor teria agido de forma “livre e consciente, em liame subjetivo com os demais investigados”, influenciando ações que buscavam desacreditar decisões judiciais, de acordo com reportagem da Agência Brasil.

Em nota, a defesa de Malafaia afirmou que a operação configura um “abuso de autoridade” e que recorrerá das medidas. O próprio pastor se pronunciou em vídeo publicado em suas redes sociais: “Eu sou um líder religioso. Não sou bandido, nem moleque. Isso é um crime de opinião no Estado Democrático de Direito”, destacou em entrevista reproduzida pelo UOL. Ele também convocou atos para o dia 7 de setembro, em resposta às determinações do Supremo.

A investigação segue em sigilo e integra uma frente de apurações que já atingiram outros aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo a apreensão de celulares e a quebra de sigilos bancários e telemáticos. Para Moraes, há “atos executórios claros” que configuram crimes como coação no curso do processo (artigo 344 do Código Penal) e obstrução de investigação sobre organização criminosa, segundo análise publicada pela CNN Brasil.

Com a medida, o STF reforça a estratégia de intensificar o cerco judicial sobre figuras políticas e religiosas que, segundo as investigações, articulam campanhas de intimidação e deslegitimação contra o Judiciário.

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