Ricardo Ayres é retirado da relatoria da CPI do INSS após articulação da oposição

Ricardo Ayres é retirado da relatoria da CPI do INSS após articulação da oposição
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 22 de agosto de 2025 5

A instalação da CPI do INSS nesta quarta-feira (20) provocou mudanças inesperadas na composição da comissão e abriu espaço para especulações políticas em Brasília. O deputado tocantinense Ricardo Ayres (Republicanos-TO), que havia sido indicado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), como relator, acabou sendo retirado da função após movimentação da oposição.

O acordo inicial previa que Ayres assumiria a relatoria, em razão de seu perfil moderado e da boa interlocução com diferentes correntes partidárias. Contudo, na sessão de instalação, a oposição conseguiu articular maioria e tirou o comando da CPI das mãos do governo. O senador Omar Aziz (PSD-AM), aliado ao Planalto e indicado por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), perdeu a presidência. Em seu lugar, foi eleito o senador Carlos Viana (Podemos-MG), que por sua vez designou o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) para a relatoria, esvaziando a indicação de Ayres.

A mudança expôs o embate de forças dentro da comissão. Para analistas políticos, a decisão demonstra a capacidade de organização da oposição em tomar espaços estratégicos e fragiliza a articulação do governo em torno do colegiado, que terá papel central no debate sobre fraudes, atrasos e gestão do INSS.

Nos bastidores, interlocutores próximos a Ayres afirmam que a retirada foi recebida com surpresa e interpretada como sinal de que a oposição não pretende abrir margem para nomes com perfil de diálogo. O próprio deputado afirmou em nota que “permanece comprometido com o trabalho da CPI, seja como relator ou membro, pois o objetivo central deve ser oferecer respostas à população sobre os problemas do INSS”.

Para lideranças do Tocantins, o episódio evidencia as dificuldades enfrentadas por parlamentares do estado em ganhar protagonismo em comissões de peso em Brasília. Embora Ayres mantenha trânsito com diferentes bancadas, a relatoria passou a ser vista como peça estratégica demais para ser concedida a um nome sem vinculação direta com o bloco oposicionista.

Com a presidência sob comando de Carlos Viana e a relatoria nas mãos de Alfredo Gaspar, a expectativa é de que a CPI caminhe em um tom mais crítico ao governo federal. Para Ricardo Ayres, resta manter atuação técnica e política na comissão, tentando capitalizar sua imagem de moderador mesmo após a derrota na disputa pela relatoria.

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