Caso Ricardo Fernandes ganha repercussão nacional com apoio da Fenaj, Sindjor e Fundação Vladimir Herzog; em Colinas, vereadores denunciam intimidações e ameaças em sessão da Câmara
O jornalista Ricardo Fernandes, diretor do Diário Tocantinense, registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil do Tocantins relatando ter sido alvo de ataques virtuais em redes sociais e grupos de WhatsApp. O documento inclui acusações de calúnia, difamação, injúria e intolerância religiosa, além de apontar tentativas de censura indireta e perseguição política.
No registro, constam como supostos autores Renato de Castro Nascimento, Rafaela Felipe Martins e Valdivino Francisco da Silva Júnior. Também foram mencionadas páginas digitais usadas para disseminar conteúdo contra o jornalista, como o perfil “Jesus Tocantinense”, administrado por Jhonatan Emanuel Rocha Sena — servidor da prefeitura — e a página “Colinas Notícias”, de propriedade de Valdivino Júnior, que também ocupa cargo comissionado.
A denúncia foi encaminhada não apenas à Polícia Civil, mas também ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal, que já instauraram procedimentos investigativos.
Intimidações contra vereadores
As acusações não se restringem ao campo virtual. Na Câmara Municipal de Colinas, parlamentares relataram episódios de constrangimento e intimidação. A vereadora Elma Moisés afirmou que, durante uma sessão, o prefeito Kasarin teria se dirigido a ela com a frase: “com ela é na bala”. O episódio foi presenciado por outros parlamentares e registrado em vídeo.
Já a vereadora Naiara Miranda relatou pressões políticas e perseguições, incluindo a exoneração de pessoas ligadas ao seu gabinete. Segundo ela, o corte de cargos representaria retaliação direta à sua atuação crítica na Câmara.
Outros vereadores confirmaram situações semelhantes, com relatos de perda de cargos e pressões internas, apontando para uma possível prática sistemática de retaliação política.
Mobilização parlamentar
Em resposta, dez vereadoras do município se uniram em um movimento coletivo para denunciar o que classificam como violência política, tentativa de intimidação parlamentar e ataques à liberdade de imprensa e opinião.
O grupo anunciou que ingressará na Justiça, em sintonia com as medidas já adotadas por Ricardo Fernandes. As parlamentares destacam que não se trata apenas de episódios isolados, mas de um ambiente de hostilidade crescente contra opositores e profissionais de imprensa na cidade.
Vídeos gravados durante as sessões e amplamente compartilhados nas redes sociais reforçam os relatos de intimidação, fortalecendo a mobilização.
Apoio nacional e repercussão
A denúncia ultrapassou os limites do Tocantins e ganhou repercussão nacional. Entidades como o Sindicato dos Jornalistas do Tocantins (Sindjor-TO), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Fundação Vladimir Herzog declararam apoio público ao jornalista.
Jornais de diferentes estados também repercutiram o caso, ampliando o debate sobre segurança dos profissionais de comunicação e o enfrentamento da violência política em municípios de pequeno e médio porte. O episódio é tratado por entidades nacionais como exemplo da crescente vulnerabilidade de jornalistas que atuam fora dos grandes centros, muitas vezes mais expostos a pressões locais.
Agora, cabe ao Judiciário analisar as denúncias formalizadas. O processo envolve não apenas as acusações contra os nomes citados — Renato de Castro Nascimento, Rafaela Felipe Martins, Valdivino Francisco da Silva Júnior, Jhonatan Emanuel Rocha Sena e Valdivino Júnior — como também o acompanhamento das denúncias de violência política registradas na Câmara Municipal.
A defesa da liberdade de imprensa e a garantia de atuação independente dos vereadores são apontadas como elementos centrais para o desfecho do caso.
O Diário Tocantinense reafirma que mantém seu espaço aberto para manifestações da Prefeitura de Colinas do Tocantins e de todos os citados nesta reportagem.