Tocantins mira União Europeia e países árabes para ampliar exportação de carne e grãos
O Tocantins intensifica articulação internacional com vista a inserir seus produtos nos mercados da União Europeiae do Oriente Médio, em estratégia que se apoia em três pilares: sustentabilidade, status sanitário livre de aftosa com vacinação e logística eficiente.
Em recente reunião com a embaixadora da União Europeia no estado, o secretário da Agricultura e Pecuária, Jaime Café, destacou que o Tocantins produz carne de alta qualidade e que atende às exigências europeias de rastreabilidade e segurança alimentar. O encontro pode resultar em visitas técnicas de comitivas estrangeiras e abertura de novos acordos comerciais.
O agronegócio é a base econômica do estado. No primeiro trimestre de 2025, o Tocantins registrou crescimento de 46,5 % nas exportações, alcançando receita de US$ 560,2 milhões (cerca de R$ 3,1 bilhões), de acordo com dados da Federação das Indústrias (FIETO). A soja lidera as exportações locais, com safra recorde de 5,4 milhões de toneladas em 2024/25. Já a carne bovina responde por aproximadamente 60 % das remessas do estado aos EUA, somando US$ 25 milhões no 1º semestre de 2025.
Os países árabes são destino estratégico para o Tocantins, dada a crescente demanda por proteína animal halal e por grãos. O perfil demográfico dessas nações, com alta urbanização e restrições de produção agrícola, reforça a necessidade de importações. A Arábia Saudita, por exemplo, é um dos maiores compradores mundiais de animais vivos e carne brasileira.
A infraestrutura logística do Tocantins é outro trunfo. O estado integra a Ferrovia Norte–Sul e tem acesso facilitado ao Porto de Itaqui (MA), rota essencial para exportações via modal ferroviário e marítimo. Projeções da Conabindicam que as exportações brasileiras de carne bovina devem crescer 16,3 % até 2033, com altas ainda mais expressivas para frango (30,9 %) e suínos (33,5 %).
Para acessar os mercados europeus, entretanto, o Tocantins precisa cumprir exigências sanitárias rígidas, como a permanência mínima de 90 dias do animal em áreas habilitadas antes do abate. Desde 2016, o estado já possui frigoríficos autorizados a exportar carne industrializada para a União Europeia, o que fortalece sua posição em negociações internacionais.
Especialistas estimam que ampliar a presença nesses mercados pode elevar o PIB estadual e gerar milhares de empregos diretos e indiretos, além de fortalecer cadeias produtivas como cooperativas, frigoríficos e transporte. O diferencial de rastreabilidade e sustentabilidade agrega valor às commodities tocantinenses e aumenta a competitividade em regiões onde o consumidor exige padrões ambientais e de bem-estar animal.
Com base em sua vocação agropecuária, infraestrutura logística e esforços diplomáticos, o Tocantins busca se consolidar como um dos principais fornecedores de soja, milho e carne bovina para os blocos mundiais de maior poder aquisitivo. O momento é de articulação decisiva e pode reposicionar o estado no mapa global do agronegócio.