Senadora Dorinha se posiciona em defesa do combate à violência de gênero

Senadora Dorinha se posiciona em defesa do combate à violência de gênero
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 3 de setembro de 2025 11

A senadora Dorinha Seabra (União-TO) reforçou, em pronunciamento no Senado, a necessidade de ampliar políticas públicas de combate à violência de gênero. A parlamentar tocantinense destacou que a proteção às mulheres não pode se restringir à legislação, mas deve ser acompanhada de ações concretas e de atenção especial às vítimas.

“Não basta termos leis. É preciso garantir sua efetividade, proteger cada mulher que sofre violência e enfrentar a cultura do silenciamento que ainda resiste em nossa sociedade”, afirmou Dorinha.

A fala da senadora ocorre em um momento de crescente preocupação com a violência política e social contra mulheres no Brasil. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios, mais de 60% das prefeitas e vice-prefeitas relataram ter sofrido algum tipo de violência durante campanhas ou no exercício do mandato.

No Tocantins, a realidade não é diferente. A vereadora Elma Miranda, de Colinas, relatou episódios de intimidação e ataques pessoais durante sua trajetória política. Já a ativista Naiara Miranda lembra que, no interior do estado, mulheres que buscam espaço institucional enfrentam um ambiente “ainda mais hostil, onde a política é marcada por relações de poder tradicionais e machistas”.

A Lei nº 14.192/2021 tipificou a violência política de gênero como crime. Ainda assim, os números mostram que a prática não cede. Dados do projeto De Olho nas Urnas, em parceria com o Observatório da Mulher na Política, apontam aumento expressivo nos registros em 2024: de 13 para 28 casos durante as convenções partidárias e de 29 para 50 no mês anterior ao pleito, em comparação com 2020.

Entre os episódios relatados, predominam casos de violência psicológica e simbólica, mas também houve registros graves, como ameaças, agressões físicas e até tentativas de feminicídio. O estudo ressalta que mulheres de diferentes partidos foram alvo, evidenciando tratar-se de um problema estrutural, que atravessa fronteiras ideológicas.

Especialistas alertam que o impacto vai além da esfera individual. Cada mulher silenciada representa uma perda coletiva para a democracia. Para a cientista política Débora Thomé, “a violência política de gênero corrói a legitimidade das instituições porque desestimula a participação feminina e mina a pluralidade dos espaços de decisão”.

A senadora Dorinha, que tem trajetória marcada pela defesa da educação e dos direitos das mulheres, reiterou que a mudança exige responsabilidade compartilhada. “É papel dos partidos proteger suas candidatas, é papel do Estado garantir segurança e justiça, e é papel da sociedade não se calar diante de cada caso. Só assim poderemos construir um país verdadeiramente democrático”, concluiu.

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