Jogo do Tigrinho vira caso de polícia: influenciadores entram na mira da Justiça
O chamado “jogo do Tigrinho”, que ganhou força nas redes sociais por meio de influenciadores digitais, passou a ser alvo de investigações policiais em vários estados do país. Classificado como jogo de azar, o aplicativo simula máquinas caça-níqueis e movimenta milhões de reais em apostas online. Por ser ilegal no Brasil, especialistas alertam que tanto os responsáveis pela divulgação quanto os jogadores podem enfrentar consequências jurídicas.
De acordo com juristas ouvidos pela reportagem, a legislação brasileira proíbe a exploração de jogos de azar, enquadrando a prática como contravenção penal. Para advogados especializados em direito digital, influenciadores que anunciam o jogo em perfis de grande alcance funcionam como vitrines para empresas que operam fora da legalidade, podendo ser responsabilizados por incitação ao crime e até por associação com organizações criminosas, dependendo das circunstâncias.
Casos recentes mostram que a questão já virou alvo de operação policial. Em São Paulo, a Polícia Civil abriu inquéritos para investigar a participação de influenciadores em campanhas de marketing ligadas ao “Tigrinho”. No Paraná, houve apreensão de material de divulgação e bloqueio de contas ligadas à movimentação financeira do jogo.
Além do impacto jurídico, especialistas em comunicação apontam que a relação entre entretenimento digital e jogos ilegais expõe um risco social: a associação de figuras públicas a práticas que podem levar seguidores ao endividamento e à dependência de apostas. “Há uma linha direta entre a publicidade feita por influenciadores e o aumento do número de jogadores. É responsabilidade compartilhada”, afirma um pesquisador ouvido pela reportagem.
Com a escalada do problema, autoridades discutem a necessidade de uma regulação mais rígida para plataformas digitais que hospedam esse tipo de conteúdo. Enquanto isso, cresce a pressão para que influenciadores revejam sua participação em campanhas de divulgação, sob risco de enfrentarem não apenas críticas do público, mas também processos criminais e cíveis.