Apneia do sono e ronco: por que acontece e como tratar o problema que afeta milhões de brasileiros

Apneia do sono e ronco: por que acontece e como tratar o problema que afeta milhões de brasileiros
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 6 de setembro de 2025 18

A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio em que a via aérea superior colapsa repetidamente durante o sono, causando pausas na respiração e queda de oxigênio. A gravidade se mede pelo Índice de Apneia-Hipopneia (IAH): leve (5–14,9), moderada (15–29,9) e grave (≥30 eventos por hora), segundo diretrizes internacionais.

O tamanho do problema

No estudo epidemiológico EPISONO, realizado em São Paulo, 32,8% dos adultos avaliados preencheram critérios para síndrome da apneia obstrutiva do sono. No mundo, a Organização Mundial da Saúde estima centenas de milhões de adultos afetados.

Sintomas mais comuns

  • Ronco alto e frequente

  • Engasgos ou pausas observadas durante o sono

  • Sonolência diurna, cefaleia matinal, dificuldade de concentração

  • Noctúria, irritabilidade e queda de desempenho

Fatores de risco

Obesidade, envelhecimento, sexo masculino e menopausa aumentam o risco. Alterações craniofaciais, tabagismo, álcool noturno e obstrução nasal também contribuem. O consenso da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) reforça que se trata de uma condição prevalente e subdiagnosticada, associada a doenças cardiovasculares, metabólicas e cognitivas.

Riscos à saúde

A apneia se associa a hipertensão e fibrilação atrial, além de maior risco de acidente vascular cerebral. Também aumenta a chance de acidentes de trânsito por sonolência. O National Institutes of Health (NIH) destaca que o tratamento adequado melhora a pressão arterial, reduz sonolência e aumenta a segurança ao dirigir.

Como diagnosticar

Tratamentos eficazes

CPAP

O CPAP é a primeira linha de tratamento para casos moderados a graves, reduzindo eventos respiratórios, sintomas e riscos cardiovasculares.

Aparelhos orais

A AASM e a AADSM recomendam dispositivos de avanço mandibular customizados para casos leves a moderados ou quando o CPAP não é tolerado.

Terapia postural

Útil em casos de apneia posicional, embora menos eficaz que o CPAP (Estudo BMJ Open Respiratory Research).

Treino miofuncional

Pesquisas brasileiras mostram que exercícios orofaríngeos podem reduzir ronco e IAH (estudo no CHEST Journal).

Perda de peso e medicamentos

A perda de peso reduz expressivamente a apneia. Em 2024, o ensaio SURMOUNT-OSA mostrou que a tirzepatida (Zepbound) diminui o IAH e o peso em adultos com obesidade e apneia moderada a grave; a FDA aprovou a indicação.

Cirurgias

O avanço maxilomandibular é a cirurgia com maior taxa de sucesso para OSA moderada a grave. Outra opção é a estimulação do nervo hipoglosso, indicada para intolerantes ao CPAP.

Acesso no Brasil

O CPAP está listado como equipamento financiável pelo Ministério da Saúde, mas não existe protocolo nacional que garanta fornecimento regular pelo SUS. Alguns estados e municípios possuem programas próprios ou disponibilizam o aparelho por via judicial.

Quando procurar ajuda

  • Ronco frequente

  • Pausas na respiração observadas

  • Sonolência ao dirigir ou no trabalho

  • Hipertensão resistente ou arritmia

  • Ganho de peso com piora do sono

A apneia do sono não é apenas um incômodo noturno. É um distúrbio com impacto direto na saúde cardiovascular, cognitiva e na segurança pública. Com diagnóstico e tratamento corretos, a qualidade de vida melhora de forma significativa.

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