CNA defende o agro brasileiro e nega prática desleal de comércio contra os EUA
Em audiência pública realizada em Washington, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)defendeu a competitividade do setor agropecuário nacional, negando acusações de práticas desleais de comércio feitas pelos Estados Unidos.
O evento ocorreu no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio americana, mecanismo que autoriza investigações e eventuais sanções unilaterais.
Argumentos da CNA
A diretora de Relações Internacionais da entidade, Sueme Mori, destacou que o agro brasileiro cumpre a legislação, incluindo o Código Florestal, e apresentou dados para contestar os questionamentos americanos sobre tarifas preferenciais, mercado de etanol e desmatamento.
Segundo Mori, “a competitividade do agro brasileiro decorre de fundamentos legítimos, como os recursos naturais e investimentos em inovação, e não por práticas desleais de comércio”.
Pilares da defesa
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Tarifas preferenciais: a CNA lembrou que apenas 1,9% das importações brasileiras possuem acordos especiais, índice muito inferior ao volume de tratados firmados pelos Estados Unidos.
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Mercado de etanol: em 2024, o Brasil importou 17 vezes mais etanol dos EUA do que da Índia, reforçando que não há barreiras discriminatórias contra o produto americano (Conexão Safra).
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Legislação ambiental: o país mantém 66% de cobertura vegetal preservada, índice monitorado por satélite e garantido por lei, como estabelece o Código Florestal brasileiro.
Relação bilateral
Os EUA são o terceiro maior destino das exportações agropecuárias do Brasil e também fornecem ao país mais de US$ 1,1 bilhão em fertilizantes e máquinas agrícolas (R7). A CNA reforçou que a parceria deve se basear em transparência e diálogo construtivo, e não em medidas punitivas.