Economia brasileira encara desafios no semestre: inflação, crédito e perspectivas de crescimento
O segundo semestre de 2025 começa com sinais mistos para a economia brasileira. Embora o PIB registre expectativa de leve avanço, analistas alertam para os efeitos persistentes da inflação em determinados setores, além da restrição ao crédito, que limita o consumo e os investimentos produtivos.
De acordo com o Banco Central, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 3,26% no ano até julho, com pressão concentrada em alimentos, combustíveis e energia. A taxa básica de juros (Selic), mantida em 15% ao ano, contribui para conter a inflação, mas encarece o crédito e restringe o financiamento de famílias e empresas.
No setor de crédito, dados da Febraban indicam que a inadimplência permanece elevada, sobretudo entre pessoas físicas. Bancos ampliam exigências para concessão de empréstimos, o que tem dificultado a recuperação de segmentos dependentes do consumo interno, como varejo e construção civil.
Para o Produto Interno Bruto (PIB), instituições financeiras projetam crescimento entre 1% e 1,5% em 2025, segundo o Boletim Focus. O desempenho dependerá do equilíbrio entre o controle da inflação, a capacidade de estímulo ao crédito e a evolução de reformas estruturais no Congresso.
Além dos fatores internos, o cenário internacional impõe desafios adicionais. A desaceleração da economia chinesa e a volatilidade das commodities pressionam as exportações brasileiras. Ao mesmo tempo, a alta dos juros nos Estados Unidos mantém o dólar valorizado, encarecendo importações e elevando custos de produção.
Especialistas defendem que o Brasil avance em reformas tributária e administrativa, além de programas de incentivo à produtividade e à inovação. A avaliação é de que, sem mudanças estruturais, o país seguirá vulnerável a choques externos e com crescimento limitado.