Tadalafila: para que serve, como usar, contraindicações e cuidados

Palmas — 10.set.2025 — Conhecida popularmente como a “pílula do fim de semana”, a Tadalafila é um medicamento indicado para tratar disfunção erétil (DE), hiperplasia prostática benigna (HPB) e hipertensão arterial pulmonar (HAP). Mas seu uso vem crescendo em contextos que extrapolam a indicação médica, o que tem preocupado especialistas em urologia e cardiologia.
Como funciona a Tadalafila
A Tadalafila pertence à classe dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), assim como o sildenafil (Viagra). Seu mecanismo é aumentar os níveis de GMPc nos tecidos cavernosos do pênis, favorecendo a dilatação dos vasos e facilitando a ereção em resposta ao estímulo sexual.
A principal diferença em relação a outros fármacos do mesmo grupo é a duração da ação: enquanto o sildenafil age por até 8 horas, a Tadalafila pode permanecer ativa por até 36 horas, o que lhe rendeu o apelido popular.
Indicações médicas
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Disfunção erétil: melhora a resposta erétil durante a atividade sexual.
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Hiperplasia prostática benigna (HPB): reduz sintomas urinários associados ao aumento da próstata.
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Hipertensão arterial pulmonar (HAP): relaxa a musculatura dos vasos pulmonares, reduzindo a pressão arterial e melhorando a capacidade de exercício.
Posologia recomendada
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Uso diário (5 mg/dia): indicado para pacientes com DE ou HPB.
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Sob demanda (10 mg ou 20 mg): ingerido cerca de 30 minutos antes da relação sexual, com efeito que pode durar mais de um dia.
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Hipertensão pulmonar: geralmente em dose de 20 mg, ajustada por especialista.
É importante destacar: a dose deve sempre ser orientada por médico, de acordo com o quadro clínico do paciente.
Efeitos colaterais mais comuns
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Dor de cabeça
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Rubor facial
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Dispepsia (azia/refluxo)
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Dor lombar e muscular
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Congestão nasal
Em casos mais raros:
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Alterações visuais
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Queda acentuada da pressão arterial
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Priapismo (ereção prolongada e dolorosa)
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Infarto ou AVC em pessoas com risco cardiovascular elevado
Contraindicações
A Tadalafila não deve ser usada por:
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Pessoas em uso de nitratos (como isossorbida ou nitroglicerina), pelo risco de queda grave da pressão arterial;
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Pacientes com hipotensão acentuada, doença cardíaca grave, histórico recente de infarto ou AVC;
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Homens sem diagnóstico de disfunção erétil ou HPB — o uso recreativo é desaconselhado.
O alerta dos médicos
O urologista Dr. Marcelo Figueiredo, ouvido pela reportagem, reforça:
“A Tadalafila é segura quando usada corretamente. Mas vemos cada vez mais jovens saudáveis usando o remédio como estimulante recreativo, sem necessidade clínica. Isso mascara problemas emocionais ou de estilo de vida e pode gerar dependência psicológica.”
O cardiologista Dr. Roberto Almeida acrescenta:
“Pacientes que usam nitratos para angina ou insuficiência cardíaca não podem tomar Tadalafila de jeito nenhum. A associação pode levar a quedas bruscas de pressão e risco de morte súbita.”
O uso recreativo e a banalização
O acesso facilitado em farmácias e pela internet fez crescer o uso da Tadalafila sem prescrição. Em academias, há relatos de jovens que consomem o medicamento como suposto “pré-treino”, acreditando que melhora o desempenho físico. Médicos alertam que não existe evidência científica para esse uso, e que os riscos cardiovasculares são altos.
Contexto histórico
A Tadalafila foi aprovada em 2003 pela FDA (Food and Drug Administration) e chegou ao Brasil logo depois, sob o nome comercial Cialis. Diferente do Viagra, que popularizou o tratamento da DE nos anos 1990, o Cialis se destacou pela longa duração do efeito. Hoje, existem versões genéricas acessíveis, o que ampliou a prescrição, mas também incentivou a automedicação.
Riscos do uso sem orientação
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Mascaramento de doenças: a disfunção erétil pode ser sintoma precoce de problemas cardiovasculares. O uso do remédio sem investigação pode atrasar diagnósticos.
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Interações perigosas: especialmente com anti-hipertensivos, nitratos e medicamentos cardíacos.
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Dependência psicológica: pacientes jovens podem acreditar que só conseguem ter ereção com a medicação.
A Tadalafila é uma ferramenta eficaz e segura quando utilizada sob prescrição médica. Porém, seu uso indevido, especialmente por homens jovens e saudáveis, preocupa especialistas. Médicos reforçam que a disfunção erétil deve ser investigada como sinal de saúde integral — do coração à mente.