STF inicia definição das penas de Bolsonaro e aliados na trama golpista

STF inicia definição das penas de Bolsonaro e aliados na trama golpista
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 11 de setembro de 2025 10

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta quinta-feira (11) a fase de dosimetria das penasdo ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete réus condenados no processo da chamada trama golpista. Após a confirmação, por 4 votos a 1, da condenação pelos principais crimes imputados, os ministros agora começam a calcular o tempo total de cumprimento de pena de cada envolvido.

O relator Alexandre de Moraes abriu a etapa ao anunciar suas propostas de pena, seguido por Flávio Dino, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e, por último, Luiz Fux – que divergiu no mérito.

Crimes e condenações

Por maioria, o STF condenou Bolsonaro e seus ex-ministros por cinco crimes:

  • Organização criminosa armada;

  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;

  • Golpe de Estado;

  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça;

  • Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção foi o deputado Alexandre Ramagem, condenado por apenas três dos crimes (organização criminosa armada, abolição violenta e golpe de Estado), já que parte das acusações foi suspensa em razão do mandato parlamentar.

O ministro Luiz Fux divergiu, votando pela absolvição de seis dos oito réus. Para ele, apenas Mauro Cid e Walter Braga Netto deveriam ser condenados, e somente por abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Como funciona a dosimetria

A definição das penas segue três fases, previstas no Código Penal:

  1. Pena-base – estabelecida a partir do mínimo legal, considerando gravidade, antecedentes e consequências do crime.

  2. Atenuantes e agravantes – no caso de Bolsonaro, a acusação de liderança da organização criminosa pode elevar a pena em até 50%.

  3. Causas de aumento ou diminuição – aplicadas conforme regras específicas de cada tipo penal, como a utilização de violência ou ameaça grave.

A soma final pode resultar em condenações superiores a 40 anos, a depender da fixação de cada ministro.

Quem são os oito condenados

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República

  • Alexandre Ramagem – deputado federal e ex-diretor da Abin

  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha

  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF

  • Augusto Heleno – ex-ministro do GSI

  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa

  • Walter Braga Netto – ex-ministro e candidato a vice na chapa de 2022

  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro

Próximos passos

Com a dosimetria, o STF definirá:

  • O tempo de prisão de cada réu;

  • O regime inicial de cumprimento da pena (fechado, semiaberto ou aberto);

  • As penas acessórias, como multas e eventuais restrições de direitos políticos.

Especialistas apontam que, embora Bolsonaro já esteja inelegível até 2030 por decisão do TSE, a fixação de uma pena elevada terá impacto simbólico e político, consolidando o julgamento como marco da responsabilização de autoridades por ataques à democracia.

A fase da dosimetria é decisiva: traduz em números o peso da condenação e define como os réus sentirão os efeitos práticos da decisão. Para Bolsonaro e seus aliados, a expectativa é de penas severas, com repercussões que vão além do campo jurídico, afetando diretamente a configuração política às vésperas de 2026.

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