STF inicia definição das penas de Bolsonaro e aliados na trama golpista
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta quinta-feira (11) a fase de dosimetria das penasdo ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete réus condenados no processo da chamada trama golpista. Após a confirmação, por 4 votos a 1, da condenação pelos principais crimes imputados, os ministros agora começam a calcular o tempo total de cumprimento de pena de cada envolvido.
O relator Alexandre de Moraes abriu a etapa ao anunciar suas propostas de pena, seguido por Flávio Dino, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e, por último, Luiz Fux – que divergiu no mérito.
Crimes e condenações
Por maioria, o STF condenou Bolsonaro e seus ex-ministros por cinco crimes:
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Organização criminosa armada;
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Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
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Golpe de Estado;
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Dano qualificado pela violência e grave ameaça;
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Deterioração de patrimônio tombado.
A exceção foi o deputado Alexandre Ramagem, condenado por apenas três dos crimes (organização criminosa armada, abolição violenta e golpe de Estado), já que parte das acusações foi suspensa em razão do mandato parlamentar.
O ministro Luiz Fux divergiu, votando pela absolvição de seis dos oito réus. Para ele, apenas Mauro Cid e Walter Braga Netto deveriam ser condenados, e somente por abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Como funciona a dosimetria
A definição das penas segue três fases, previstas no Código Penal:
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Pena-base – estabelecida a partir do mínimo legal, considerando gravidade, antecedentes e consequências do crime.
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Atenuantes e agravantes – no caso de Bolsonaro, a acusação de liderança da organização criminosa pode elevar a pena em até 50%.
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Causas de aumento ou diminuição – aplicadas conforme regras específicas de cada tipo penal, como a utilização de violência ou ameaça grave.
A soma final pode resultar em condenações superiores a 40 anos, a depender da fixação de cada ministro.
Quem são os oito condenados
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Jair Bolsonaro – ex-presidente da República
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Alexandre Ramagem – deputado federal e ex-diretor da Abin
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Almir Garnier – ex-comandante da Marinha
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Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF
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Augusto Heleno – ex-ministro do GSI
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Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa
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Walter Braga Netto – ex-ministro e candidato a vice na chapa de 2022
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Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
Próximos passos
Com a dosimetria, o STF definirá:
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O tempo de prisão de cada réu;
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O regime inicial de cumprimento da pena (fechado, semiaberto ou aberto);
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As penas acessórias, como multas e eventuais restrições de direitos políticos.
Especialistas apontam que, embora Bolsonaro já esteja inelegível até 2030 por decisão do TSE, a fixação de uma pena elevada terá impacto simbólico e político, consolidando o julgamento como marco da responsabilização de autoridades por ataques à democracia.
A fase da dosimetria é decisiva: traduz em números o peso da condenação e define como os réus sentirão os efeitos práticos da decisão. Para Bolsonaro e seus aliados, a expectativa é de penas severas, com repercussões que vão além do campo jurídico, afetando diretamente a configuração política às vésperas de 2026.