Cultura Viva no interior: oportunidades e desafios para artistas independentes

Cultura Viva no interior: oportunidades e desafios para artistas independentes
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 12 de setembro de 2025 5

A cena cultural brasileira no interior vem ganhando novo fôlego com a execução da Lei Paulo Gustavo e da Política Nacional Aldir Blanc, que descentralizam investimentos e permitem que artistas de pequenas cidades tenham acesso a recursos antes concentrados nas capitais.

Em 2025, a Lei Paulo Gustavo executou R$ 3,93 bilhões em projetos culturais nos 27 estados e em 5.398 municípios, o que corresponde a 95% dos recursos repassados pelo governo federal. Somados aos rendimentos bancários, o valor total aplicado chegou a R$ 4,1 bilhões (link). A distribuição contemplou todas as regiões: Sudeste recebeu mais de R$ 1,45 bilhão, Nordeste R$ 1,16 bilhão, Sul R$ 523 milhões, Norte R$ 424 milhões e Centro-Oeste cerca de R$ 298 milhões.

O impacto nos municípios do interior tem sido significativo. Em Minas Gerais, 63% das propostas inscritas na LPG vieram do interior e 74% dos projetos aprovados também são de fora da capital. No Paraná, 395 dos 399 municípios apresentaram planos de ação e o estado aplicou R$ 210 milhões em linguagens como música, dança, audiovisual e culturas tradicionais. Estados como Piauí e Roraima estão entre os que mais avançaram na execução, com índices acima de 95%.

Já a Política Nacional Aldir Blanc, criada para garantir continuidade e planejamento de médio prazo, alcançou mais de 5 mil municípios no primeiro ciclo de repasses. Segundo o Ministério da Cultura, 4.855 municípios ultrapassaram 60% de execução financeira, habilitando-se a receber novos recursos em 2025. A pasta também lançou um painel interativo de dados, que permite acompanhar extratos bancários, execução mensal e adesão de cada município.

Apesar dos avanços, artistas independentes apontam desafios. A burocracia dos editais, a dificuldade de acesso à internet em cidades pequenas e a falta de informação ainda limitam a participação. A cantora Mariana Alves, de Gurupi, afirma que só conseguiu lançar suas músicas em plataformas digitais graças ao edital estadual: “O apoio abriu portas, mas ainda é difícil viver só da arte no interior”. Já o artista plástico José Neto, de Araguaína, conquistou reconhecimento em salão de artes financiado com verba pública, mas enfrenta dificuldades para comercializar suas obras.

Especialistas avaliam que os editais são fundamentais para democratizar o acesso à cultura e formar público no interior, mas defendem maior continuidade e acompanhamento. Projetos de curto ciclo, sem estruturas permanentes, não garantem sustentabilidade. O desafio dos próximos anos será transformar o acesso a esses recursos em um processo inclusivo e duradouro, capaz de consolidar a arte como motor da economia criativa em pequenas cidades.

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