Depressão além dos holofotes: o desafio da saúde mental no Brasil e no Tocantins

Depressão além dos holofotes: o desafio da saúde mental no Brasil e no Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 12 de setembro de 2025 6

A depressão deixou de ser tema restrito a celebridades e tornou-se questão urgente de saúde pública no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, o país é o que mais concentra casos de depressão na América Latina e ocupa a segunda posição em prevalência nas Américas (link). Pesquisas apontam que 11,3% dos adultos brasileiros já receberam diagnóstico médico de depressão (link), e um levantamento de 2024 mostra que 19% dos entrevistados afirmam conviver com a doença, com maior prevalência entre mulheres (link).

O impacto é também econômico: em 2024, o Brasil registrou 472.328 afastamentos do trabalho por transtornos mentais como depressão e ansiedade, o maior número em dez anos e 68% acima do ano anterior (link).

A rede pública e os CAPS

Para enfrentar a crise, o SUS organiza-se por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que hoje conta com 2.947 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em 1.973 municípios brasileiros (link). No Tocantins, são 21 CAPS distribuídos em 16 cidades, como Palmas, Araguaína, Gurupi e Colinas (link). Um exemplo é o CAPS Infantil de Araguaína, referência no atendimento a crianças e adolescentes em sofrimento psíquico.

O retrato do Tocantins

Apesar da rede existente, especialistas apontam gargalos. Muitos municípios do interior ainda não contam com CAPS, obrigando pacientes a longos deslocamentos (link). Há relatos de sobrecarga das unidades regionais, falta de profissionais especializados e limitação de horário de atendimento (link). Além disso, persistem o estigma e o medo do diagnóstico, que atrasam a procura por ajuda, e problemas no fornecimento de medicamentos básicos.

Desafios e perspectivas

Entre os caminhos apontados estão a expansão da rede de CAPS para municípios ainda não atendidos, a integração com a atenção básica por meio de agentes comunitários de saúde, o uso de telemedicina para ampliar o alcance e programas de prevenção comunitária para combater o estigma. Também é urgente garantir regularidade no fornecimento de medicamentos antidepressivos e ampliar o acesso a psicoterapia no sistema público.

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