Dulce Miranda mira vaga na ALETO após trajetória em Brasília e busca reforçar presença no Tocantins
A ex-deputada federal Dulce Miranda (MDB) começou a se movimentar para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Tocantins (ALETO) em 2026. Após dois mandatos em Brasília, a parlamentar avalia que o retorno ao cenário estadual pode ampliar sua proximidade com as bases e dar novo fôlego à sua trajetória política. “Quero estar mais perto do povo, ouvindo diretamente as necessidades de cada município”, afirmou recentemente, ao justificar a decisão de priorizar a política local.
Dulce foi eleita deputada federal em 2014, quando obteve mais de 75 mil votos e se tornou a mais votada do estado. Durante o período em que esteve na Câmara, concentrou atuação em áreas como assistência social, infância, saúde e empreendedorismo, integrando a Comissão de Seguridade Social e Família e participando de frentes parlamentares de proteção à criança e ao adolescente. Em 2022, alcançou 38 mil votos, número expressivo, mas insuficiente para a reeleição.
O movimento da ex-deputada ocorre em meio a uma mudança estratégica do grupo político da família Miranda. O ex-governador Marcelo Miranda, seu esposo, anunciou que não pretende concorrer em 2026, abrindo espaço para que Dulce reassuma o protagonismo. A expectativa entre aliados é de que parte do capital eleitoral acumulado por Marcelo migre diretamente para sua candidatura. Nos bastidores, também há especulações sobre uma possível troca de partido. Embora filiada ao MDB, Dulce vem sendo sondada por siglas como PP e União Brasil, interessadas em sua competitividade nas urnas.
Apesar do histórico de votos expressivos, Dulce terá pela frente desafios relevantes. Em 2023, o Ministério Público Eleitoral pediu a cassação de seu diploma por supostas irregularidades na campanha de 2022, processo ainda em tramitação. A oposição deve usar o caso como munição na próxima disputa. Além disso, a ex-deputada precisará consolidar apoios de prefeitos e lideranças do interior, fundamentais para conquistar espaço na ALETO.
Caso seja eleita, Dulce Miranda poderá reforçar agendas sociais e articular recursos para municípios de menor porte, aproveitando sua experiência em Brasília para ampliar a interlocução entre o governo estadual e a esfera federal. O retorno à política estadual, além de projetar seu nome em um novo campo de atuação, será também um teste para a sobrevivência do grupo político dos Miranda no Tocantins.