Do Tocantins para a 44: outlets impulsionam vendas e fortalecem a economia regional

Do Tocantins para a 44: outlets impulsionam vendas e fortalecem a economia regional
Movimento intenso na Região da 44: outlets oferecem preços baixos e fortalecem o comércio de Palmas, Gurupi e Araguaína.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 22 de setembro de 2025 6

Lojistas e consumidores de Palmas, Gurupi e Araguaína lotam caravanas rumo à Região da 44 em busca de preço competitivo e marcas de confiança; estratégia dos outlets atrai novos públicos e aquece o mercado.

Palmas, setembro de 2025 – No coração de Goiânia, a Região da 44 consolidou-se como o maior polo atacadista de moda do Centro-Oeste e o segundo maior do Brasil. Mas é no Tocantins que esse fenômeno encontra um dos seus públicos mais fiéis: lojistas de Palmas, Gurupi e Araguaína têm sido presença constante nos corredores do complexo atacadista. O movimento ganhou novo fôlego com a expansão dos outlets, modelo que alia marcas conhecidas, preços reduzidos e estoques rotativos.

Segundo o Grupo Mega Moda, mais de 20 operações já funcionam no formato outlet, incluindo lojas da Hering e marcas locais como Sublini, Santa e Dondoca. O modelo gera alta rotatividade e serve como vitrine para novas marcas, ampliando o fluxo de visitantes.

“Os outlets passaram a ser um diferencial dentro do atacado. Eles atraem clientes finais, ajudam pequenos lojistas e fortalecem o polo como destino de compras. Isso é muito perceptível na chegada de caravanas de estados vizinhos, especialmente do Tocantins”, explica Paula Sepúlveda, gerente de marketing do Mega Moda.

Palmas: consumidores finais e lojistas no mesmo destino

Na capital tocantinense, o impacto é direto tanto no varejo quanto no consumo das famílias. Maria Clara Ferreira, empresária de moda feminina no centro de Palmas, detalha a importância da 44 para manter sua competitividade:

“Em Palmas, o cliente já exige roupa com valor agregado. A 44 garante essa entrega, porque eu consigo trazer peças de qualidade a preços acessíveis. Os outlets são estratégicos, principalmente quando preciso de mercadorias de marca para concorrer com grandes lojas locais. Volto de Goiânia sempre com o carro cheio.”

Para consumidores finais, a lógica é semelhante. Compras em volume ou mesmo para ocasiões especiais passam a valer a pena. “No Natal do ano passado, comprei roupa para a família toda na 44. Saiu pela metade do que pagaria em Palmas. Os outlets fizeram diferença”, conta Rosângela Araújo, moradora da região Sul da capital.

Gurupi: sobrevivência do pequeno comércio

A 44 também garante fôlego ao pequeno lojista do interior. Em Gurupi, muitos empreendedores trabalham com margens reduzidas e enfrentam a concorrência de grandes magazines.
“Tenho uma loja pequena, de moda íntima e fitness. Se não fosse a 44, eu não teria como competir. Os outlets permitem que eu traga peças boas, de coleções passadas, mas que aqui vendem muito bem. Isso garante meu lucro e ainda fideliza meus clientes”, afirma Lucas Andrade, comerciante no centro da cidade.

Araguaína: turismo de compras e impacto no consumo

No norte do Tocantins, em Araguaína, maior cidade do interior, os outlets já influenciam até o turismo de compras. “Muita gente daqui organiza excursões para Goiânia só para ir à 44. No fim do ano, quando o fluxo aumenta, parece até passeio turístico. O pessoal volta com mala cheia. É uma economia enorme para as famílias”, relata Ana Luiza Cardoso, moradora do setor Cimba.

Para os lojistas, o efeito é ainda mais significativo. “A cada viagem consigo renovar meu estoque com variedade. O cliente de Araguaína percebe quando a peça vem de lá, porque encontra qualidade que não se acha facilmente na cidade”, explica Rodrigo Pires, dono de loja de moda evangélica.

Os números da 44

O Grupo Mega Moda — formado pelo Mega Moda Shopping, Mega Moda Park e Mini Moda — reúne mais de 1.600 lojas, sendo cerca de 1.200 operadas por confeccionistas locais, o que significa 73% da produção própria.

Nos últimos dois anos, o grupo inaugurou 200 novas lojas e registrou 25% de aumento no fluxo de visitantes. O Mini Moda, especializado em moda infantil, concentra mais de 30 operações.

  • Fluxo de visitantes: 800 mil compradores por mês; em dezembro, até 1,3 milhão.

  • Empregos diretos: mais de 160 mil.

  • Pontos de venda: 15 mil distribuídos em 140 empreendimentos.

  • Movimentação financeira: R$ 761 milhões mensais.

  • Produção: 280 milhões de peças vendidas em 2023, em sua maioria confeccionadas em 30 municípios goianos.

  • Ticket médio no atacado: de R$ 5 mil a R$ 8 mil.

O chamado atacarejo — atacado para o consumidor final — já representa 30% a 40% do faturamento. Em julho de 2024, a região recebeu 1,1 milhão de visitantes, consolidando-se também como destino de turismo de compras.

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