Macron, Lula e Trump em choque na ONU: embates, discursos e bastidores com Janja

Macron, Lula e Trump em choque na ONU: embates, discursos e bastidores com Janja
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 24 de setembro de 2025 10

A 80ª Assembleia-Geral da ONU reuniu três estilos que colidiram em Nova York: Donald Trump, Luiz Inácio Lula da Silva e Emmanuel Macron. No plenário, os discursos giraram em torno de Gaza, Ucrânia e clima; nos bastidores, a presença de Janja agregou capital simbólico à comitiva brasileira.

No púlpito, Trump atacou o multilateralismo e relativizou a agenda de clima, em tom duro que repercutiu em aliados e adversários. Ao mesmo tempo, prometeu apoio à Ucrânia, mantendo a pressão sobre a Rússia. Fora do salão, reclamou de falhas de teleprompter e de escada rolante, episódio noticiado pela ABC News, e indicou aceno diplomático ao Brasil.

Abrindo o debate geral, Lula centrou sua fala na defesa da democracia, no reforço do multilateralismo e no papel do Brasil na transição ecológica. Na frente climática, vinculou a vitrine da UNGA à COP30, defendendo novas NDCs e financiamento florestal. Em paralelo, manteve conversa substantiva com Volodymyr Zelensky, propondo cessar-fogo como etapa para negociações.

A peça que acendeu faíscas veio da França. Em entrevistas, Macron cobrou de Washington iniciativa concreta para cessar a guerra em Gaza, lembrando a influência norte-americana sobre Israel. O Élysée reforçou a defesa da solução de dois Estados e o reconhecimento francês da Palestina, numa tentativa de ocupar o vácuo diplomático.

Nos corredores, houve um degelo tático entre Brasil e EUA. Após um cumprimento rápido, Trump falou em “excelente química” e sinalizou conversa direta com Lula para discutir tarifas e destravar a agenda comercial. A diplomacia brasileira leu o gesto como chance de pragmatismo, sem baixar a guarda sobre divergências.

A moldura de bastidores incluiu a atuação de Janja em compromissos paralelos e encontros com lideranças e empresas. Em agenda econômica, a comitiva registrou reunião com o TikTok para discutir investimentos e moderação de conteúdo. Nas ruas, protestos de opositores brasileiros compuseram o ruído do entorno — e viraram combustível para redes.

No contraste entre estilos, Trump apostou no nacionalismo assertivo; Macron tentou ancorar saídas imediatas para Gaza; e Lula se colocou como costurador de pontes em clima e diálogo. O teste agora é de execução: se a conversa Trump-Lula se confirmar, haverá espaço para aliviar tarifas e retomar grupos técnicos; se a iniciativa francesa ganhar tração, Gaza pode entrar em trilho de mediação; e, se a agenda verde prevalecer, a COP30 vira checkpoint das promessas feitas em Nova York.

Para o Brasil, um canal com Washington ajuda a reduzir volatilidade em câmbio e juros; para a França, liderança em Palestina projeta protagonismo europeu; para os EUA, calibrar o discurso multilateral sem abrir mão da pressão estratégica será o equilíbrio mais difícil. Enquanto isso, a UN Web TV mantém os discursos na íntegra — lembrando que, no palco da ONU, a retórica conta; mas, no dia seguinte, o que pesa é o que se transforma em entrega verificável.

Notícias relacionadas