Lula reage a fala de Trump na ONU e aceita diálogo com Presidente americano

Lula reage a fala de Trump na ONU e aceita diálogo com Presidente americano
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 26 de setembro de 2025 12

Durante a Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ao gesto e às declarações de Donald Trump e afirmou que está disposto a uma conversa direta com o ex-presidente americano. O encontro inesperado entre os dois líderes ocorreu nos corredores do plenário em Nova York, quando Trump, em um gesto público, acenou em direção a Lula, sinalizando abertura ao diálogo. Pouco depois, o presidente brasileiro declarou que “há muito a conversar” e que pretende aproveitar a ocasião para abordar as tensões diplomáticas recentes entre Brasil e Estados Unidos. A cena ganhou repercussão imediata no noticiário internacional, recolocando os dois países em rota de aproximação após meses de atritos.

Segundo reportagem da CNN Brasil, Lula relatou que fez questão de cumprimentar Trump e afirmar que considera o diálogo necessário. A troca de palavras foi breve, mas suficiente para desencadear expectativa de uma reunião formal já nos próximos dias. O gesto contrasta com a escalada das tensões bilaterais iniciada quando o governo americano decidiu aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e revogar vistos de autoridades nacionais. A decisão foi justificada por Washington como resposta a suposta interferência política do Brasil no caso envolvendo Jair Bolsonaro, mas em Brasília foi interpretada como medida arbitrária. Durante seu discurso, Lula reforçou a posição brasileira de que não aceitará ingerências externas em questões internas e denunciou o que chamou de “ataques unilaterais” ao Judiciário. Em declaração citada pela Reuters, o presidente afirmou que não há justificativa para sanções que fragilizem instituições democráticas ou prejudiquem a economia.

Do lado americano, Trump buscou dar outro tom. Em sua fala na Assembleia, exaltou o aceno como sinal de “química positiva” e anunciou que pretende se reunir com Lula “na próxima semana”. O anúncio foi confirmado por veículos como o El País, que destacou a surpresa do gesto e a expectativa de que a reunião possa abrir espaço para reconfiguração da relação entre os dois países. Em Washington, a AP News noticiou que porta-vozes da Casa Branca confirmaram a disposição de Trump em dialogar, embora não tenham detalhado a pauta da reunião. Diplomatas brasileiros, por sua vez, indicaram que o Itamaraty vê o episódio como uma oportunidade de evitar agravamento da crise e de recolocar o comércio no centro da agenda.

O gesto diplomático tem peso porque ocorre em um momento de realinhamento global, em que o Brasil tenta reforçar seu papel de mediador independente e ampliar sua participação em fóruns multilaterais. A eventual reunião deve tratar não apenas das tarifas, mas também de cooperação econômica, investimentos estratégicos e respeito às instituições de cada país. Analistas apontam que, se confirmada, será a primeira conversa direta entre Lula e Trump desde a escalada da crise, podendo sinalizar um degelo importante na relação. A cena nos corredores da ONU expôs como gestos simbólicos podem alterar o curso da política internacional e recolocar Brasil e Estados Unidos diante de um diálogo que parecia improvável poucas semanas atrás.

Notícias relacionadas