Associação Brasileira de Bebidas se posiciona após intoxicações por metanol em São Paulo
A confirmação de graves casos de intoxicação por metanol no estado de São Paulo, decorrentes do consumo de bebidas adulteradas, provocou reação imediata da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe). A entidade manifestou solidariedade às vítimas e familiares e reforçou sua preocupação diante do avanço do mercado ilegal no setor.
A Abrabe reúne as principais indústrias de bebidas do país e atua no combate à falsificação, adulteração e comércio clandestino de produtos. Em nota, destacou que a atuação ocorre em parceria com órgãos de fiscalização, como Procon, Receita Federal, Polícia Federal e Polícia Civil, com foco em operações de inteligência e repressão em diferentes estados.
Operações contra o mercado ilegal
Entre 2024 e 2025, a associação acompanhou mais de 160 operações de combate à comercialização de produtos ilícitos, conduzidas por órgãos fiscalizadores. Atualmente, seguem em andamento 97 ações penais e 165 inquéritos ativos relacionados ao tema. Somente em 2025, o volume de apreensões ultrapassou 160 mil produtos falsificados, além da retenção de insumos, equipamentos, veículos e computadores utilizados pelos investigados.
Compromisso e riscos à população
A Abrabe reiterou compromisso com a proteção do consumidor e com a defesa do mercado legal. A entidade alertou que a presença de metanol em bebidas adulteradas representa risco extremo à saúde, podendo causar cegueira irreversível, falência múltipla de órgãos e até a morte.
Em posicionamento oficial, a associação reforçou que seguirá contribuindo com os governos federal e estadual para coibir o mercado ilegal. “Nosso trabalho é assegurar que o consumidor tenha acesso a um produto seguro, regulado e de qualidade. O combate à ilegalidade é, antes de tudo, uma questão de saúde pública”, afirmou a nota.
Contexto nacional
O mercado ilegal de bebidas é apontado por especialistas como um dos maiores desafios do setor. Segundo estimativas da própria Abrabe, cerca de 20% das bebidas consumidas no Brasil podem ter origem irregular, com impactos que vão além do risco à saúde, atingindo também a arrecadação de impostos e a concorrência justa entre empresas do mercado formal.
A intoxicação registrada em São Paulo reacende o debate sobre a necessidade de fiscalização mais rigorosa e campanhas educativas que orientem consumidores a identificar produtos suspeitos.