Cesta básica dispara: arroz, feijão e combustíveis pesam no bolso do tocantinense
A inflação voltou a preocupar famílias brasileiras, e o efeito é sentido com mais intensidade no Tocantins. Produtos essenciais da cesta básica, como arroz e feijão, além dos combustíveis, registraram altas expressivas nos últimos meses, pressionando o orçamento doméstico e encarecendo o custo do setor produtivo.
Dados nacionais e impacto direto
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,9% nos últimos 12 meses. No grupo de alimentação e bebidas, o arroz subiu 12% e o feijão carioca acumulou 10% de aumento. Já a gasolina e o diesel tiveram reajustes de 15% e 18%, respectivamente, de acordo com levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
Esses números reforçam a percepção de que a inflação está concentrada em itens de consumo essencial, com impacto direto sobre as famílias de baixa e média renda.
Tocantins sente mais no dia a dia
No Tocantins, os efeitos são ampliados pela logística. O transporte de alimentos, fortemente dependente de rodovias e combustíveis, encarece o preço final ao consumidor. Levantamento de sindicatos locais mostra que, em Palmas, a cesta básica subiu 9% apenas no último trimestre, puxada pelo feijão, óleo de soja e derivados do trigo.
Em Araguaína e Gurupi, comerciantes relatam dificuldade em manter preços estáveis diante do aumento dos fretes. Pequenos restaurantes e lanchonetes, dependentes de insumos básicos, foram obrigados a reajustar cardápios, o que pressiona também o consumo local.
Leitura dos economistas
Para o economista Paulo Henrique Almeida, professor da Universidade Federal do Tocantins, a alta reflete um cenário de instabilidade política e incertezas em torno das reformas econômicas.
“O preço dos alimentos e dos combustíveis tem forte peso no índice de inflação porque atinge diretamente o consumo popular. O cenário político nacional, ainda marcado por impasses sobre a reforma tributária e a condução da política fiscal, gera insegurança para investidores e pressiona o câmbio, o que impacta o preço dos insumos importados”, explicou.
Já a economista Carla Nogueira, consultora de mercado em Goiânia, reforça que o Tocantins sente a alta com mais força pela dependência logística:
“Qualquer aumento nos combustíveis repercute no frete e chega rápido às prateleiras do estado. A distância dos grandes centros de produção encarece ainda mais o consumo das famílias tocantinenses”.
Perspectivas e políticas públicas
A expectativa do governo federal é que a entrada da nova safra de grãos reduza a pressão sobre alimentos básicos no início de 2026. A Conab estima que a colheita de arroz e feijão será maior do que em 2024, o que pode aliviar preços. Contudo, especialistas alertam que, sem estabilidade política e avanço nas reformas, o alívio será temporário.
No Tocantins, o governo estadual estuda medidas para mitigar os efeitos da alta, como o fortalecimento da agricultura familiar e a ampliação de feiras regionais para aproximar produtores e consumidores, reduzindo custos com intermediários.
O aumento da cesta básica expõe a fragilidade das famílias tocantinenses diante da inflação concentrada em itens essenciais. Entre a alta dos combustíveis, o peso dos alimentos e a indefinição no cenário político, a pressão sobre o bolso do consumidor se mantém como o principal desafio da economia no segundo semestre de 2025.