Doenças respiratórias em alerta no Tocantins: calor e ar seco preocupam especialistas
— O Tocantins vive um dos períodos mais críticos do ano em relação à saúde respiratória. As altas temperaturas, que ultrapassam os 40 °C em algumas regiões, associadas ao ar seco típico da estação, têm provocado aumento expressivo de atendimentos em hospitais públicos e privados. Especialistas alertam para riscos à população mais vulnerável, especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Clima extremo agrava problemas
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a umidade relativa do ar no estado tem registrado índices abaixo de 20%, patamar considerado de emergência pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O meteorologista Ricardo Farias explica que a combinação de ar seco e calor intenso compromete a qualidade do ar, potencializando doenças respiratórias.
“O calor aumenta a evaporação e reduz a umidade, deixando o ar mais poluído e carregado de partículas em suspensão. Esse ambiente facilita crises de asma, bronquite e alergias, além de ressecar as mucosas e aumentar o risco de infecções respiratórias”, afirmou o especialista.
Hospitais registram alta na demanda
Dados da Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins apontam que, apenas em agosto e setembro, houve aumento de 27% nos atendimentos por doenças respiratórias em comparação ao mesmo período do ano passado. Hospitais de referência em Palmas, Araguaína e Gurupi relatam superlotação em prontos-socorros pediátricos, com destaque para quadros de crianças com crises alérgicas e idosos em internação prolongada.
A médica pneumologista Dra. Luciana Moreira, do Hospital Geral de Palmas, reforça que a procura tem sido constante:
“Recebemos diariamente pacientes com falta de ar, tosse persistente e agravamento de doenças crônicas. O perfil mais vulnerável é o de idosos e crianças, mas até pessoas saudáveis relatam mal-estar e dificuldade respiratória”, afirmou.
Recomendações médicas
Especialistas recomendam hidratação intensa, consumo de frutas ricas em água, uso de soro fisiológico nasal e, sempre que possível, umidificadores de ar. Outra medida é evitar atividades físicas ao ar livre nos horários mais quentes do dia, quando a temperatura elevada intensifica os efeitos do ar seco.
A pneumologista Luciana ressalta ainda a importância de atenção aos sinais de alerta: “Se houver febre, cansaço extremo ou dor no peito, é fundamental procurar atendimento médico imediato”.
Impactos sociais e políticas públicas
O avanço das doenças respiratórias também pressiona a rede pública de saúde. O governo federal anunciou, por meio do Ministério da Saúde, a liberação de recursos adicionais para os estados da região Centro-Oeste e Norte, destinados à compra de medicamentos e insumos. Em paralelo, o Tocantins deve reforçar a rede de atenção primária, ampliando a distribuição de soro fisiológico e máscaras protetoras em escolas e unidades básicas de saúde.
O calor extremo e o ar seco no Tocantins reforçam a urgência de políticas públicas de prevenção e conscientização. Entre os números de internações em crescimento e os desafios da rede hospitalar, especialistas são unânimes: o período crítico do clima é também uma ameaça à saúde respiratória da população, exigindo atenção redobrada de famílias e gestores.